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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
 
 
 
Cego

Domingo, 03 de dezembro de 2017:

«14º Domingo do Evangelho de Lucas»

(26º depois de Pentecostes - Modo 1)

Memória de São Sofonias, profeta (séc. VII a.C).

As vezes, este Evangelho é lido antes do Evangelho do Décimo Domingo. Se ele não for lido, é deixado de lado, a menos que a Páscoa seguinte caia entre 22 e 25 de abril. Neste caso, ele é lido no Domingo que cai entre 21 e 24 de janeiro. Também é preciso considerar que, se a Páscoa do ano em curso cai entre 22 e 23 de abril não se lê no domingo entre 2 e 3 de Dezembro, mas o do Décimo Sexto Domingo de Mateus

Matinas

Evangelho

[Lc 24,1-12]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Lucas.

aquele tempo, no primeiro dia da semana, muito cedo, dirigiram-se ao sepulcro com os aromas que haviam preparado. Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro. Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus. Não sabiam elas o que pensar, quando apareceram em frente delas dois personagens com vestes resplandecentes. Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como ele vos disse, quando ainda estava na Galiléia: o Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores e crucificado, mas ressuscitará ao terceiro dia. Então elas se lembraram das palavras de Jesus. Voltando do sepulcro, contaram tudo isso aos Onze e a todos os demais. Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa. Mas essas notícias pareciam-lhes como um delírio, e não lhes deram crédito. Contudo, Pedro correu ao sepulcro; inclinando-se para olhar, viu só os panos de linho na terra. Depois, retirou-se para a sua casa, admirado do que acontecera.

Divina Liturgia

Apolitikion

Embora a pedra fosse selada pelos judeus
e teu puríssimo corpo fosse guardado pelos soldados.
Ressurgiste, porém, ao terceiro dia, ó Salvador,
dando a vida ao mundo!
Por isso, as Potências Celestes clamaram-te, ó Autor da vida:
Glória a tua ressurreição, ó Cristo!
Glória a tua realeza, glória a tua providência, ó Filântropo!

Theotokion

Quando Gabriel te saudou, ó Virgem, dizendo: "alegra-te!"
e com sua voz, o Salvador encarnou-se em ti, tabernáculo santo;
e, como falava o Justo Davi: "veio do céu trazendo o Criador de tudo",
glória Àquele que habita em ti,
glória Àquele nascido de ti e que nos libertou!

Kondakion

Tu, sendo Deus, te levantaste do túmulo,
e devolveste a vida ao mundo;
a natureza humana, por isso te louva:
a morte foi vencida, Adão se regozija, ó Mestre,
e Eva, liberta agora das cadeias da morte, com alegria exclama:
Tu, Cristo, és o que a todos dá a Ressurreição!

 

Hino à Mãe de Deus

Ó Admirável e Protetora dos cristãos
e nossa Medianeira do Criador
não desprezes as súplicas de nenhum de nós pecadores,
mas apressa-te em auxiliar-nos como Mãe bondosa que és,
pois te invocamos com fé: roga por nós junto de Deus,
tu que defendes sempre aqueles que te veneram.

Prokímenon

Desça sobre nós, Senhor, a tua misericórdia
conforme nossa esperança em ti.

Exultai, ó justos, no Senhor,
pois aos retos convém o louvor.

Epístola

[Ef 5,8-19]

Primeira Epistola de São Paulo aos Efésios

rmãos, outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes. Ora, o fruto da luz é bondade, justiça e verdade. Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente. Porque as coisas que tais homens fazem ocultamente é vergonhoso até falar delas. Mas tudo isto, ao ser reprovado, torna-se manifesto pela luz. E tudo o que se manifesta deste modo torna-se luz. Por isto {a Escritura} diz: Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará {Is 26,19; 60,1}! Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus. Não vos embriagueis com vinho, que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito. Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor.

Aleluia

Deus assegura a minha vitória
e me submete os meus adversários.

Salva maravilhosamente seu servo
e usa de misericórdia com seu ungido.

Evangelho

[Lc 18,35-43]

Evangelho de Nosso Senhor Jesus†Cristo, segundo São Lucas.

aquele tempo, quando Jesus se aproximava de Jericó, um cego estava sentado à beira do caminho, pedindo esmola. Ouvindo a multidão passar, perguntou o que estava acontecendo. Disseram-lhe: «Jesus Nazareno está passando». O cego então gritou: «Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!» As pessoas que iam na frente mandavam que ele ficasse calado. Mas ele gritava mais ainda: «Filho de Davi, tem compaixão de mim!» Jesus parou e mandou que Lhe trouxessem o cego. Quando ele chegou perto, Jesus perguntou: «Que queres que eu te faça?» O cego respondeu: «Senhor, que eu veja». Jesus disse: «Enxerga! A tua fé te salvou». No mesmo instante, o cego começou a enxergar de novo e foi seguindo Jesus, glorificando a Deus. Vendo isso, todo o povo deu glória a Deus.

A Cura do Cego de Jericó

ara chegar a Jerusalém, Jesus teve que atravessar o Rio Jordão e passar pela cidade das palmeiras, conhecida como Jericó. Dois grandes acontecimentos marcaram a presença de Jesus na cidade de Jericó: a cura de um cego e seu encontro com Zaqueu. Ambos encontraram-no e viram-no como o Messias. Antes mesmo de enxergar, o cego reconheceu Aquele que já os profetas do Antigo Testamento anunciavam: “Ele mesmo virá até nós e nos salvará. Então se abrirão os olhos dos cegos, os ouvidos dos surdos serão desobstruídos e coxo saltará como um cervo e a língua do mudo dará gritos de alegria” (Is 35). Zaqueu, por sua vez, ao vê-lo de longe, não se conteve e subiu num sicômoro, para ter dele uma visão melhor.

O Evangelista Marcos nomeia este cego que também era mendigo, de Bartimeu- filho de Timeu (Mc 10, 46), Lucas prefere codinominá-lo de “o cego de Jerico”. Não importa o nome ou a situação vivida por ele, e sim, que aquele a quem faltava-lhe a visão corporal, teve olhos suficientes para enxergar Deus diante de si. Ele reconheceu o Messias e revelou a sua identidade: era o Filho de Davi. Aquele que era tão aguardado pelo povo escolhido e profetizado por Jeremias: “Eis que outros dias virão; e nesses dias e nesses tempos farei nascer de Davi um rebento justo que exercerá o direito e a equidade na terra. Não faltará jamais a Davi um sucessor que ocupará o trono da casa de Israel” (Jr 33,14-17). Ele via o que os outros (a multidão) não conseguia ver. Além de reconhecê-Lo como o Filho de Davi, chamou Jesus de “Senhor”. Antecipou em sua vida o que escreveu São Paulo à Comunidade de Filipos: “Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o Nome que está acima de todos os nomes, para que ao Nome de Jesus se dobre todo o joelho no céu e na a terra e nos infernos. E toda língua proclame que Jesus é o ‘Senhor’” ( Fl 2, 10-12).

Seus gritos chamando por Jesus eram incômodos aos outros, porém reveladores. Seus gritos eram uma confissão messiânica: Jesus é um descendente legitimo de Davi. O povo o repreendia, não somente porque gritava mas, sobretudo, pelo quê gritava. Mas o som de sua súplica chegou até os ouvidos de Jesus e não passaram despercebidos. Jesus o curou, após ele mesmo pedir: “Senhor, que eu recupere a visão” . Ele então revela: tua fé te salvou.

Após a cura, narra o Evangelista que ele louvou a Deus e seguiu Jesus.

Este é o itinerário que também nós, os cristãos batizados, precisamos fazer, o caminho que temos de trilhar: Reconhecer Jesus como nosso Salvador e Deus que atua no mundo também através de pessoas que por Ele são chamadas, dar-lhes glória pelos ofícios litúrgicos que com alma e verdade participamos e, em tudo, seguir seus ensinamentos.

Aquele que acabara de ser curado, sentiu-se o destinatário exato do anúncio feito pelo profeta ao falar sobre o Nascimento do Filho de Deus entre nós: “O Povo que andava nas trevas viu uma grande Luz”. Para ele que outrora só tinha a companhia das trevas, pela palavra de Deus, a luz tornou-se algo real e inseparável. O Natal fez-se novamente, pois nasceu a luz para iluminar as trevas de sua vida. A Criação então pode ser contemplada de maneira inédita para mais um filho que antes era privado de sentir a indescritível sabedoria daquele que fez plasmar tudo do nada. Diante daquele filho curado, duas realidades divinas puderam ser veneradas: a Criação e a Encarnação do Verbo. A presença de Deus na História do homem fez com que o impossível se tornasse realidade. Ele não era o “povo” e nem o representava, mas fazia parte dele, era integrante da estirpe que pode receber em seu meio a Palavra Encarnada.

Fazendo uso da admiração e da gratidão que o curado pudesse sentir, a Liturgia das Horas em suas Vésperas, tenta descrever tal realidade em alguns versos na chamada “Sétima Oração”: “Grande e Altíssimo Deus, Único e Imortal que habitas na luz inacessível, que criaste todas as coisas com sabedoria, separando a luz das trevas, dispondo o sol para reger o dia e as estrelas para iluminarem a noite; que nos concedeste a nós pecadores estar na tua presença com o coração contrito e apresentar nossa doxologia vespertina... Reveste-nos das armadura da luz, livra-nos do temor noturno e de todo o mal que se move nas trevas...”

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