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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
 
 
 

Domingo, 14 de Outubro de 2018

«Quarto Domingo de Lucas»

Comemoração dos 350 Padres do 7° Concílio Ecumênico

(20° Domingo depois de Pentecostes - Modo 3°)

Memória dos Santos Nazário, Gervásio, Protásio e Celso,
mártires de Milão († c. 66).

No dia 11, se for domingo, ou no domingo que segue, comemora-se os 350 Padres do 7° Concílio Ecumênico (2° de Nicéia) que no ano 787 condenou a heresia do iconoclasmo.

Matinas

Evangelho

[Jo 20:19-31]

Evangelho de Nosso Senhor Jesus†Cristo, segundo São João.

aquele tempo, chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco. E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor. Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. «Aqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos. Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o meu dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei. E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram. Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

Divina Liturgia

Apolitikion (Modo 3º)

Rejubilem-se os céus e alegre-se a terra,
pois o Senhor manifestou a força de seu braço;
com sua morte venceu a morte,
tornou-se o primogênito dos mortos;
libertou-nos das entranhas dos infernos
revelando ao mundo a grande misericórdia!

Apolitikion da Festa

Tu és digno de toda a glória, ó Cristo nosso Deus,
porque constituíste nossos Padres como astros sobre a terra,
e por eles nos guiaste à verdadeira fé.
Ó compassivo, glória a Ti

Kondakion da Festa

A pregação dos Apóstolos e os ensinamentos dos Padres
firmaram uma só fé na Igreja
que, revestida do manto da verdade,
tecido com a ciência teológica revelada,
distribui sabiamente e glorifica
o grande Mistério da piedade.

Prokimenon (Modo 3º)

Cantai salmos ao nosso Deus, cantai!
Cantai salmos ao nosso Rei, cantai!

Nações, aplaudi todas com as mãos,
aclamai a Deus com vozes alegres!

EPÍSTOLA

[Tt 3:8-15]

Epístola do Santo Apóstolo Paulo a Tito.

rmãos, essa é uma palavra digna de fé. Por isso quero que você insista nessas coisas, a fim de que aqueles que acreditam em Deus sejam os primeiros a praticar o bem. Essas coisas são boas e úteis para os homens. Evite controvérsias inúteis, genealogias, discussões e debates sobre a Lei, porque para nada servem e são vazias. Depois de um primeiro e um segundo conselho, você nada mais tem a fazer com um herege, pois sabemos que um homem desse tipo se perverteu e se entregou ao pecado, condenando-se a si mesmo. Mandarei Ártemas ou Tíquico encontrar-se com você. Quando eu chegar aí, faça o possível para se encontrar comigo em Nicópolis, onde resolvi passar o inverno. E se esforce para ajudar Zenas, o jurista, e Apolo, de modo que nada lhes falte. Todos os da nossa gente precisam aprender a praticar o que é bom, de modo que sejam capazes de atender às necessidades urgentes e assim não vivam uma vida inútil. Todos os que estão comigo lhe mandam saudações. Saudações a todos os que nos amam na fé. Que a graça esteja com todos vocês.

Aleluia (Modo 3º)

Aleluia, aleluia, aleluia!

Junto de Ti, Senhor, me refugiei;
não seja eu confundido para sempre, por tua justiça, livra-me!
Aleluia, aleluia, aleluia!

Sê para mim um Deus protetor
e uma casa de refúgio que me abrigue.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

[Lc 8:5-15]

Evangelho de Nosso Senhor Jesus†Cristo, segundo São Lucas

aquele tempo, o Senhor disse esta parábola: «O semeador saiu a semear. Ao semear, uma parte da semente caiu à beira do caminho e foi pisada; e os pássaros do céu a comeram. Outra parte caiu sobre as pedras; brotou, mas secou, por falta de umidade. Outra parte caiu entre os espinhos e, crescendo ao mesmo tempo, os espinhos a sufocaram. Ainda outra parte caiu em terra boa; brotou e deu frutos, até cem por um. Depois de dizer isso, ele exclamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!» Seus discípulos faziam perguntas sobre o sentido da parábola. Jesus, então, lhes disse: «A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus, aos outros, porém, só por meio de parábolas, de modo que, olhando, não enxergam e ouvindo, não entendem. A parábola quer dizer o seguinte: a semente é a Palavra de Deus. Os que caem à beira do caminho são os que escutam, mas logo vem o Diabo e arranca a palavra do seu coração, para que não acreditem e não se salvem. Os que ficam sobre as pedras são os que ouvem e acolhem a palavra com alegria, mas não têm raÍzes. Por um momento, acreditam, mas quando chega a tentação, desistem. Aquilo que caiu entre os espinhos são os que escutam, mas vivendo em meio às preocupações, as riquezas e os prazeres da vida são sufocados e não chegam a amadurecer. O que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo com um coração bom e generoso, conservam a Palavra e dão fruto pela perseverança. E tendo dito isto, exclamou: «quem tiver ouvido para ouvir, ouça».

Kinonikon

Louvai o Senhor nos céus,
louvai-O nas alturas!

Aleluia, aleluia, aleluia!

 

 

importância dos primeiros sete concílios ecumênicos no Oriente Bizantino é tal que, por três vezes no ano, sempre em dia de Domingo, se celebram os Padres que fizeram ecoar no meio da Igreja a divina harmonia, proclamando as verdades da fé apostólica.

A Festa dos 350 Padres conciliares se reveste com a coroa da vitória sobre os iconoclastas que proibiram manifestações públicas da fé através dos ícones. Graças aos santos padres conciliares podemos nos aproximar dos ícones de Nosso Senhor e da Theotokos, venerando-os através deles, o Deus Uno e Trino que se fez carne e nos trouxe a salvação.

Sobre o Evangelho desta festa é nos apresentada uma rica história, iniciando assim o cortejo literário chamado parábolas. As parábolas pertencem ao gênero didático da Bíblia cuja intenção e finalidade é ensinar uma verdade religiosa. Próprias e exclusivas de Jesus de Nazaré, significam algo novo na literatura judaica, sem paralelos nos escritos anteriores ou posteriores à sua vinda. Elas são comparações ou imagens destinadas a ilustrar ou transmitir uma idéia, usando de alegorias para desvendar uma realidade premente. O propósito é induzir o ouvinte a admitir uma situação que ele a princípio não percebe como aplicável a si mesmo, mas que, após uma reflexão ou uma explicação mais minuciosa parece se encaixar com muita precisão.

Nos Evangelhos, encontramos dezenas de parábolas narradas pelo Senhor, cada uma relatando uma situação específica, donde se tira várias lições, usando-se de exemplos concretos do dia-a-dia das pessoas comuns.

Na Galiléia, havia muitos terrenos acidentados e cheios de colinas cuja área de plantio era muito restrita devido às suas irregularidades. O Senhor valendo-se deste contexto, desta imagem, compõe aos poucos uma narrativa que é muito familiar a todos, para evidenciar o poder e a eficácia da palavra de Deus.

«Como a chuva e a neve descem do céu e não voltam para ele sem ter regado ou fecundado a terra, assim sucede com a palavra que sai da boca do Senhor» Is 55,10.

A eficácia da palavra divina é observada desde a Criação do mundo pelo "FAÇA-SE" pelo qual o Criador ordenava vir a existência todas as coisas, e imediatamente do NADA germinava a vida.

O Antigo Testamento é rico em exemplos em que Deus se dirige aos homens através da palavra. Por fim, chegada à plenitude dos tempos, Deus não enviou mais simples palavras aos homens, mas sua PALAVRA eterna, seu VERBO. O Verbo assumiu a natureza humana, fez-se carne e veio semear no coração dos homens palavras de vida eterna, sendo este o tema do Evangelho que Lucas nos apresenta hoje.

Entretanto, diz a parábola, a mesma semente produz, num terreno, frutos abundantes; e em outros, nada produz. Eis aí o significado do mistério da liberdade humana ante os dons de Deus.

Em toda parte Jesus semeia a Palavra: nem ao homem de coração mais endurecido Ele a nega, nem aos soberbos, às prostitutas, aos hipócritas a quem o Senhor comparava aos terrenos pedregosos e cheio de espinhos. O SENHOR a todos generosamente oferece a Boa Nova. Assim como o semeador não faz distinção na terra que lavra, semeando por toda parte, também nós não podemos fazer discriminação, entre o rico e o pobre, o douto e o ignorante, o fervoroso e o preguiçoso, o corajoso e o covarde, o pecador e o santo.

São João Crisóstomo nos diz que «se ao ouvir a Palavra os corações permanecerem ainda endurecidos a culpa não é da Palavra, mas de quem não quis mudar de vida».

Por isso a indiferença não deve desanimar o semeador; deve ele ser sempre persistente. A persistência e a confiança devem caracterizar o apostolado cristão, pois nem sempre a receptividade da mensagem anunciada é vista e sentida. A confiante ação do semeador que espalha, com mãos cheias a semente, interpela o ouvinte para que entendamos que as dificuldades não podem barrar o andamento de um projeto divino.

Esta parábola é tão rica que o próprio Senhor se debruça em explicá-la aos ouvintes após a sua narração. Tecer qualquer outra interpretação seria redundância. De qualquer maneira esta parábola encontra sua contemporaneidade em cada cristão.

«Que vossas palavras Senhor, lancem raízes profundas em nossas vidas, transformando-nos em árvores frutíferas dos dons divinos» (São João Crisóstomo).

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