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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
 
 
 

Domingo, 13 de Agosto de 2017:

«10º Domingo de Mateus»

(10º depois de Pentecostes - Modo 1°)

Comemoração da Trasladação das relíquias
de São MÁXIMO, o Confessor († 680).

Matinas

Evangelho

[Jo 21, 1-14]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São João.

aquele tempo, manifestou-se Jesus outra vez aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e manifestou-se assim: Estavam juntos Simão Pedro, e Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Dizem-lhe eles: Também nós vamos contigo. Foram, e subiram logo para o barco, e naquela noite nada apanharam. E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, mas os discípulos não conheceram que era Jesus. Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não. E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes. Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar. E os outros discípulos foram com o barco (porque não estavam distantes da terra senão quase duzentos côvados), levando a rede cheia de peixes. Logo que desceram para terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: Trazei dos peixes que agora apanhastes. Simão Pedro subiu e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes e, sendo tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor. Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lhes e, semelhantemente o peixe. E já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos.

Divina Liturgia

Apolitikion

Embora a pedra fosse selada pelos judeus
e o teu puríssimo Corpo fosse guardado pelos soldados,
ressurgiste ao terceiro dia, ó Salvador, dando a vida ao mundo!
Por isso, as Potências celestes exclamaram-te, ó Autor da vida:
«Glória a tua Ressurreição, ó Cristo, glória a tua Realeza,
glória a tua Providência, ó Filantropo!»

Theotokion

Quando Gabriel te saudou, ó Virgem, dizendo: «alegra-te!»
e com sua voz, o Salvador encarnou-se em ti, tabernáculo santo;
e, como falava o Justo Davi: «veio do céu trazendo o Criador de tudo»,
glória Àquele que habita em ti,
glória Àquele nascido de ti e que nos libertou!

Kondakion

Tu, sendo Deus, te levantaste do túmulo,
e devolveste a vida ao mundo;
a natureza humana, por isso te louva:
a morte foi vencida, Adão se regozija, ó Mestre,
e Eva, liberta agora das cadeias da morte,
com alegria exclama: Tu, Cristo, és o que a todos dá a Ressurreição!

Prokimenon

Venha sobre nós, Senhor a tua misericórdia
conforme nossa esperança em Ti.

Por isso eu te clamo como o Filho Pródigo: pequei contra Ti, ó Pai Misericordioso!
Recebe-me arrependido e faze-me um de teus servos.

Epístola

[1Cor 4, 9-16]

Primeira EpÍstola do Apóstolo SÃo Paulo Aos coríntios.

rmãos, tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós vis. Até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa, e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos; somos blasfemados, e rogamos; até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos. Não escrevo estas coisas para vos envergonhar; mas admoesto-vos como meus filhos amados. Porque ainda que tivésseis dez mil aios em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; porque eu pelo evangelho vos gerei em Jesus Cristo. Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores.

Aleluia

Deus assegura a minha vitória
e me submete os meus adversários.

Salva maravilhosamente seu servo
e usa de misericórdia com seu ungido.

Evangelho

[Mt 17, 14-23]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Mateus.

aquele tempo, aproximou-se de Jesus um homem que, ajoelhando-se diante dele, disse: Senhor, tem compaixão de meu filho, porque é epiléptico e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e muitas vezes na água. Eu o trouxe aos teus discípulos, e não o puderam curar. E Jesus, respondendo, disse: ó geração incrédula e perversa! até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei? Trazei-mo aqui. Então Jesus repreendeu ao demônio, o qual saiu de menino, que desde aquela hora ficou curado. Depois os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, perguntaram-lhe: Por que não pudemos nós expulsá-lo? Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível. {mas esta casta de demônios não se expulsa senão à força de oração e de jejum.} Ora, achando-se eles na Galiléia, disse-lhes Jesus: O Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens; e matá-lo-ão, e ao terceiro dia ressurgirá. E eles se entristeceram,

«Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda,
direis a esta montanha: vai daqui para lá, e ela irá...»

esus sempre procurou valorizar o pequeno. Aquilo que era muitas vezes menosprezado pelos homens, ele atribuía seu verdadeiro valor e importância. Procurava enaltecer o desprezível, o insignificante e o diminuto. Deu-nos muitos exemplos a este respeito para que pudéssemos aprender a rever nossa posição diante daquilo que é julgado anódino pela maioria. A semente de mostarda, o dracma perdido, a espiga de trigo, a ovelha perdida, o copo d”água oferecido ao sedento, são alguns exemplos que receberam de Deus o valor devido, mostrando-nos que nem tudo o que aparentemente é secundário para o mundo, seja assim para Deus. Ensinou que à criança pura e sensível está destinado o Reino dos Céus; e nos instruiu a imitá-la para que também pudéssemos ser dignos deste Reino. Jesus não era um homem das massas, não gostava de populismos, evitava o ufanismo, procurava orientar seus discípulos que não contassem aos outros a maioria dos milagres; preferia a sutileza da gratidão de um humilde a ser exaltado e homenageado pelos das camadas mais privilegiadas. Conhecia o coração das pessoas, sabia de seus sofrimentos e de suas inquietudes, estava ciente do quanto os homens são afligidos pelas doenças e pelas possessões do demônio.

Valorizou as viúvas indefesas, os órfãos, os servos, os pobres, os excluídos, os marginalizados, os doentes, os deficientes: todos eles sensibilizavam o Deus da Vida. Contudo, a criança era a predileção de Jesus. Via nela a imagem da pureza, a imagem do imaculado. Na criança a imagem e semelhança de Deus que nos foi dada na Criação permanecem fidedignas, pois Deus se revela pela sua candura. Nada sensibilizava mais seu coração quanto ver o sofrimento de uma criança inocente. Este é o cenário no qual Jesus se encontra: trouxeram-lhe uma criança que estava possuída por um espírito maligno e que por causa disso, sofria ataques de epilepsia que a levavam a cair no fogo ou na água para o desespero de seus familiares. Jesus ouve da boca do próprio pai que seus discípulos não foram capazes de curar seu filho que padecia de uma grave enfermidade e que por isso estava trazendo diante dele, como ultima esperança.

O Senhor expôs para todos a fraqueza e a pequenez da fé que seus seguidores mais próximos tinham; e denunciou que esta fé vulnerável era o motivo pelo qual a cura não tinha sido alcançada. A falta de uma fé consistente em Deus da parte dos discípulos fez o Senhor falar de um jeito mais enérgico beirando o desabafo e a rispidez: “Ó gente de pouca fé! Até quando deverei ficar convosco? Até quando terei que vos suportar?” Jesus estava se referindo a pouca fé dos apóstolos que, apesar de sempre estarem em sua companhia, pareciam não aprender muito com ele.

Imediatamente após esta censura, Jesus curou o menino. Bastou um gesto, bastou um toque. Sem espetáculos, sem alardes, sem ostentação, como lhe era peculiar, Jesus expulsou e venceu outra vez o demônio, e a cura foi imediata. Os discípulos ficaram atônitos diante da simplicidade do gesto de cura realizada pelo Senhor e se questionaram: “Por que nós não conseguimos expulsar o espírito?”.

O Senhor revelou que aquela “espécie de demônios não podia ser expulsa de nenhum outro modo, a não ser pela oração”. A oração nos faz íntimos com Deus e, por isso, conhecedores de sua vontade. A fé inquebrantável em Deus é resultante do contínuo diálogo com Deus. A comunicação diária com o Senhor estreita os laços de nossa filiação e nos faz sensíveis a esta realidade. Verdadeiramente, somos filhos de Deus em seu Filho, por isso faz a experiência desta comunhão quem de fato eleva sua alma e ora.

Muitos seguidores de Jesus, hoje e naquele tempo, queriam experimentar esta comunhão em suas vidas. A causa do insucesso era e continua sendo a falta de esforço e de persistência na oração. Sem oração não há fé inabalável. Sem um mínimo de fé não há como persistir na oração sincera. A fé é dom de Deus; para se tê-la é necessário pedi-la e para pedi-la é imperioso orar. A fé nos é dada à medida de nosso esforço em persistir na petição. Ela nos é oferecida aos poucos, para que da mesma maneira possamos contemplar a abundante graça divina que nos é ofertada.

Jesus diz a seus discípulos que se tivéssemos fé do tamanho de uma semente de mostarda transportaríamos uma montanha de um lado ao outro; e que faríamos obras maiores do que as dele. Esta constatação estampa a fragilidade da nossa fé em Deus, revela nossa falta de perseverança na oração. Talvez a montanha primeira que teremos que transpor seja nossa própria resistência na freqüência da oração.

Quem reza aceita obediente à vontade de Deus. Aceita seus desígnios. Não questiona as dificuldades impostas pelo transcorrer dos acontecimentos, não atribui ao Criador responsabilidades que lhe são alheias; enxerga em cada instante o atuar incessante de sua providência nos caminhos da história. Enche-se de coragem e de entusiasmo e enfrenta as barreiras, pois sabe que Deus não lhe faltará.

Outro fruto da oração é a obediência à sua Palavra. Jesus, sinal da perfeita comunhão entre o homem e o Pai, entre o humano e o Divino, foi obediente à vontade de Deus. Predisse a seus discípulos, após curar aquela criança, que iria padecer e morrer mas ressuscitaria no terceiro dia. Seus seguidores não compreenderam aquelas divinas palavras, não sabiam do que ele falava. compreenderiam mais tarde, quando o Divino Paráclito lhes foi enviado. É imprescindível que o Espírito Santo norteie nossos passos, que ele dirija nossos caminhos para que possamos compreender as palavras, os ensinamentos de Jesus nos dias atuais. As palavras são eternas, não mudam. Nossas atitudes diante delas é que precisam ser transformadas pelo Espírito Santo.

Nossa fé ainda permanece pequena mas há quem a tenha muito maior do que o tamanho de uma semente de mostarda. Talvez, estes, para não ganhar o aplauso vil do mundo, não estejam transportando montanhas, mas fazem a santidade de vida ser uma realidade possível. Vivem no anonimato servindo seu próximo no silêncio, procurando curar as pessoas das novas doenças deste século. São santos agindo no meio da multidão de maneira despercebida mas atuante, como fermento levedando a massa. Homens de jejum, oração, que se entregam todos os dias à obediência e à escuta da Palavra de Deus; agem assim movidos pela fé e sabem que é pela candura, pela simplicidade e pela humildade do servir que recuperaremos a imagem da criança adormecida em nós e tão amada e valorizada por Jesus.

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