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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
 
 
 

Domingo, 20 de Agosto de 2017:

«11º Domingo de Mateus»

(11º depois de Pentecostes - Modo 2°)

Memória do Santo Profeta Samuel (c. 1010 a.C.).

Matinas

Evangelho

[Jo 21, 14-25]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São João.

aquele tempo, pela terceira vez Jesus se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressurgido dentre os mortos. Depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras. E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me. E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair? Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será? Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu. Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Este é o discípulo que testifica destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém.

Apolitikion

Quando te entregaste a morte ó Vida Imortal,
aniquilaste os infernos pelo esplendor de tua divindade;
e quando ressuscitaste os mortos das profundezas da terra,
todas as potências celestes exclamaram:
Ó Cristo nosso Deus, ó Autor da Vida, glória a Ti

Theotokion

Teus méritos são glorificados acima de toda a razão, ó Mãe de Deus,
Na pureza selada, preservaste a tua virgindade,
verdadeiramente mãe, és reconhecida
que deste à luz o verdadeiro Deus
roga a Ele que salve as nossas almas!

Kondakion

Tu te levantaste da tumba, ó Salvador Onipotente,
e o inferno, vendo esta maravilha, estremeceu de medo,
e os mortos ressuscitaram de seus túmulos.
Adão e toda a Criação se alegram contigo,
e o mundo, ó Salvador meu, te louva para sempre.

Hino à Mãe de Deus

Ó Admirável e Protetora dos cristãos e nossa Medianeira do Criador
não desprezes as súplicas de nenhum de nós pecadores,
mas apressa-te em auxiliar-nos como Mãe bondosa que és,
pois te invocamos com fé: roga por nós junto de Deus,
tu que defendes sempre aqueles que te veneram.

Prokimenon

O Senhor é minha força e meu vigor
Ele foi a minha salvação (Sl 118,14).

O Senhor severamente me castigou ,
mas não me entregou à morte (Sl 118, 18).

Epístola

[1Cor 9, 2-12]

Primeira Epístola do Apóstolo São Paulo aos Coríntios.

rmãos, se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos o sou para vós; porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor. Esta é minha defesa para com os que me condenam. Não temos nós direito de comer e beber? Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas? Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar? Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado? Digo eu isto segundo os homens? Ou não diz a lei também o mesmo? Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois? Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante. Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais? Se outros participam deste poder sobre vós, por que não, e mais justamente, nós? Mas nós não usamos deste direito; antes suportamos tudo, para não pormos impedimento algum ao evangelho de Cristo.

Aleluia

O Senhor te responda no dia do Perigo (Sl 21).

Salva Senhor o teu povo e abençoa a tua herança (Sl 28, 9).

Evangelho

[Mt 18, 23-35]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Mateus.

aquele tempo, o Senhor disse esta parábola: «O Reino dos Céus é, portanto, como um rei que resolveu ajustar contas com seus servos. Quando começou o ajuste, trouxeram-lhe um que lhe devia uma fortuna inimaginável. Como o servo não tivesse com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher, os filhos e tudo o que possuía, para pagar a dívida. O servo, porém, prostrou-se diante dele pedindo: 'Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo'. Diante disso, o senhor teve compaixão, soltou o servo e perdoou-lhe a dívida. Ao sair dali, aquele servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia uma quantia irrisória. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: 'Paga o que me deves'. O companheiro, caindo-lhe aos pés, suplicava: 'Tem paciência comigo, e eu te pagarei'. Mas o servo não quis saber. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que estava devendo. Quando viram o que havia acontecido, os outros servos ficaram muito sentidos, procuraram o senhor e lhe contaram tudo. Então o senhor mandou chamar aquele servo e lhe disse: 'Servo malvado, eu te perdoei toda a tua dívida, porque me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?' O senhor se irritou e mandou entregar aquele servo para ser castigado, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.

Kinonikon

Louvai o Senhor nos Céus,
louvai-O nas alturas.
Aleluia, aleluia, aleluia!

«Perdoai as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos
aos nossos devedores»

atitude daquele que obteve misericórdia de Deus por causa das grandes dívidas, mas que não soube retribuí-la àquele que lhe devia pouco, a princípio, pode causar em nosso interior indignação e tristeza ante tamanha injustiça ou incoerência. No entanto, não estamos tão imunes ou tão distantes de repetirmos semelhantes disparates. De fato, o primeiro sentimento nosso é o de estranheza. Mas, tal estranheza vai dando lugar à semelhança e, não poucas vezes, à identificação . Não somos tão coerentes assim, não somos tão cristãos assim, como as vezes pensamos ser. E, é nestes momentos de identificação, que precisamos nos soerguer e caminhar.

O Evangelho narrado por Mateus, no capitulo 18, nos traz a tão conhecida pergunta feita a Jesus por Pedro: “Senhor, quantas vezes devemos perdoar?”. A resposta que Jesus lhe dá, da mesma forma, nos é familiar, pois repetidas vezes, ouvimo-la. A resposta de Jesus, é, então acompanhada pela narrativa que é conteúdo e objeto de reflexão deste XI Domingo de Mateus.

Jesus, como pedagogo e Mestre, responde a Pedro que devemos perdoar não somente sete vezes, mas setenta vezes sete. Ele complementa e elucida a resposta com esta parábola, inteligentemente construída do ponto de vista ilustrativo, densamente catequético, do ponto de vista da coerência humana e profundamente teológico, pois ensina que os seguidores de Cristo devem imitá-lo, exercitando o perdão e a misericórdia.

A coerência exige coesão entre o falar e o fazer; exige lógica entre o agir e a fé que dizemos abraçar e professar. E, nem sempre a observamos: todas as vezes que rezamos a Oração do Pai-nosso, pedimos para que Deus perdoe nossos erros, na mesma medida que perdoamos aqueles que nos ofendem com suas fraquezas, insultos, mentiras, injustiças etc. Nossa sorte reside no fato de Deus, ao escutar nossa oração, ser movido mais pela misericórdia do que pelo rigor em cumprir aquilo que ouve de nossa boca.

Nesta parábola, identificamos dois sujeitos distintos: aquele que perdoa e o que é perdoado. Facilmente ligamos a pessoa do “rei” que perdoa a Deus e a pessoa do servo que é perdoado, a todos nós. Conceder o perdão é um ato e um atributo divino. Ser perdoado é uma realidade inerente à natureza humana. Quem perdoa se mostra semelhante e se identifica com Deus.

"Não podemos conhecer a Deus segundo sua grandeza, mas podemos conhecê-Lo segundo seu amor e sua misericórdia. O amor é identificado pela gratuita filiação e a misericórdia revela-se pelo ininterrupto perdão que nos é oferecido a cada queda".

Santo Ireneu.

Quem é perdoado resgata a pureza e a essência de criatura que é. Aquele que primeiramente foi perdoado, não soube dar o perdão ao outro que também necessitava. Ele soube ser totalmente humano ao reivindicar o perdão de suas dívidas, mas não soube ser nada divino ao negar o mesmo perdão que lhe foi pedido por seu semelhante.

"Os homens exercem a misericórdia na medida que podem. Em troca recebem-na de Deus de maneira copiosa. Pois não há comparação entre a misericórdia humana e divina. Entre elas há uma grande distância".

São João Crisóstomo.

São Mateus usa esta analogia para nos ensinar que Deus sempre está pronto a nos conceder o perdão. Enfatiza, por outro lado, que o que é perdoado deve também estender o perdão ao irmão ofensor, pois o impiedoso será julgado com a mesma severidade. É necessário que o coração do homem se encha de generosidade e misericórdia ante o irmão que erra, se quer que Deus assim proceda quando estiver diante do justo Juiz.

“É desta forma que eu quero ver se amas o Senhor e a mim, seu servo e teu, se procederes assim: Que não haja no mundo nenhum irmão que, por muito que tenha pecado e venha ao encontro do teu olhar a pedir misericórdia, se vá de ti sem o teu perdão. E se não vier pedir misericórdia, pergunta-lhe tu se a quer. E se, depois, mil outras vezes vier ainda à tua presença para o mesmo, ama-o mais que a mim, a fim de o trazeres ao Senhor. E que sempre te enchas de compaixão por esses desgraçados. E quando puderes, informa os guardiões que estás decidido a proceder deste modo”.

(São Francisco de Assis).

O perdão parte sempre de Deus e é distribuído aos homens. Estes, por sua vez, o redistribuem, formando a corrente da misericórdia e do amor. Se um elo desta corrente se quebra, rompe-se a possibilidade de todos experimentarem o que Deus nos oferece e o que os irmãos deveriam repassar. A troca do perdão e da misericórdia em uma comunidade cristã entre seus membros é o fiel da balança que nos mostra o quanto esta mesma comunidade de fato vive o que Jesus ensinou. A Igreja, que é comunidade de irmãos que se amam e se perdoam, experimenta a misericórdia do Pai na fonte, e deve repartir tal graça a seus membros. A mútua troca de perdão e de amor faz mais unida a comunidade cristã e a faz digna da expressão: “Vede como eles se amam”.

“Não é possível manter a unidade nem a paz, se os irmãos não se aplicam a guardar a tolerância mútua e o elo da concórdia graças à paciência. Que dizer ainda, a não ser que não juremos, nem maldigamos, nem reclamemos o que nos tiraram, que apresentemos a outra face a quem nos bate, que perdoemos ao irmão que pecou contra nós, e não só setenta e sete vezes, que desculpemos as suas faltas, que amemos os nossos inimigos, que oremos pelos nossos adversários e por aqueles que nos perseguem?".

(São Cipriano, bispo de Cartago e mártir da Igreja).

Muitos podem não perdoar, mas o cristão que quer viver sua fé de maneira autêntica, seguindo os passos e os ensinamentos do Senhor deve, não só fazê-lo, como incentivar a que ele seja praticado sempre, pois faz parte da essência do cristianismo condenar o erro mas amar o pecador.

Atualmente parece que o mundo se identifica mais com o gesto incoerente do servo impiedoso do que com o gesto do rei misericordioso. A linguagem do perdão não é facilmente decifrada pelo mundo; a linguagem da misericórdia é abafada pelos apelos da vingança e da intolerância; a linguagem do amor se faz muda e surda aos que têm um coração incapaz de compreender gestos altruístas.

É fundamental lembrar que estamos no mundo e não podemos nos deixar contaminar por ele, pois não somos do mundo, como disse o próprio Jesus. Mesmo que estejamos nadando contra a corrente dos ensinamentos do mundo, sabemos que temos um porto seguro, um caminho a ser seguido, uma meta a ser alcançada. A santidade é o que buscamos.

«Não devias também tu ter piedade do teu companheiro,
tal como eu tive piedade de ti?»

A compaixão, por um lado, e o juízo de simples equidade, por outro, se coexistem na mesma alma, são como um homem que adora Deus e os ídolos na mesma casa. A compaixão é o contrário do julgamento por simples justiça. O julgamento estritamente eqüitativo implica a igual repartição por todos de uma medida semelhante. Dá a cada um o que ele merece, não mais; não se inclina nem para um lado nem para o outro, não discerne na retribuição. Mas a compaixão é suscitada pela graça, inclina-se sobre todos com a mesma afeição, evita a simples retribuição àqueles que são dignos de castigo e cumula para lá de qualquer medida os que são dignos do bem.

A compaixão está assim do lada da justiça, o julgamento apenas eqüitativo está do lado do mal… Tal como um grão de areia não pesa tanto como muito ouro, a justiça eqüitativa de Deus não pesa tanto como a sua compaixão. Assim como um punhado de areia caindo no grande oceano, assim são as faltas de todas as criaturas em comparação com a providência e a piedade de Deus. Tal como uma nascente que corre com abundância não poderia ser bloqueada por um punhado de pó, também a compaixão do Criador não poderia ser vencida pela malícia das criaturas. Aquele que guarda ressentimento quando reza é como um homem que semeia no mar e espera ceifar.

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