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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
 
 
 

Domingo, 26 de Março de 2017:

4º Domingo da Quaresma: «São João Climaco»

(3º antes da Páscoa - Modo Grave)

Sinaxe em honra ao Arcanjo Gabriel.

Matinas

Evangelho

[Jo 20, 1-10]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São João.

aquele tempo, no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro. Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e ao outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram. Então Pedro saiu com o outro discípulo, e foram ao sepulcro. E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais apressadamente do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. E, abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia não entrou. Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis, e que o lenço, que tinha estado sobre a sua cabeça, não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu. Porque ainda não sabiam a Escritura, que era necessário que ressuscitasse dentre os mortos. Tornaram, pois, os discípulos para casa.

Divina Liturgia

Apolitikion da Ressurreição

Pela tua cruz, destruíste a morte,
abriste as portas do paraíso ao ladrão,
converteste em alegria o pranto das Miróforas,
e lhes disseste que aos apóstolos anunciassem,
que ressuscitaste dos mortos, ó Cristo Deus,
revelando ao mundo a grande misericórdia.

Apolitikion Próprio

Pela abundância de tuas lágrimas,
o deserto estéril tornou-se fértil
e pela tua profunda compunção,
tuas obras produziram o cêntuplo.
Tornaste-te assim, para o universo, um astro brilhante
pelos milagres, ó nosso justo pai João.
Intercede, pois, ao Cristo Deus,
pela salvação de nossas almas.

Theotokion

Como templo da nossa ressurreição, ó Gloriosíssima,
retira do túmulo e da desolação aqueles que esperam em ti!
Tu nos salvaste da escravidão do pecado,
gerando a nossa salvação, permanecendo sempre virgem.

Kondakion

O domínio da morte já não pode submeter o homem,
pois Cristo, descendo, aboliu e destruiu o seu poder,
o Hades está vencido, e os profetas se alegram,
clamando em uníssono: «O Salvador apareceu àqueles que têm fé!
Corram, fiéis, para a ressurreição!».

Kondakion Próprio

Ofereceste-nos os teus ensinamentos como frutos sempre maduros,
que deleitam os corações dos que os ouvem com atenção,
ó sábio e bem-aventurado!
São eles, com efeito, uma escada que conduz para a celeste glória
as almas dos que te honram com fé.

Outro Kondakion

O Senhor te colocou no mais alto ponto da renúncia,
ó nosso pai e mestre João,
como um astro verdadeiro e firme
que ilumina os horizontes!

Prokimenon

O Senhor dará poder a seu povo,
o Senhor abençoará seu povo com a paz.

Oferecei ao Senhor, ó filhos de Deus,
oferecei ao Senhor tenros cordeiros. . 

Epístola

[Hb 6, 13-20]

Epístola aos Hebreus.

rmãos, quando Deus fez a promessa a Abraão, não podendo jurar por alguém superior a ele, jurou por si mesmo, dizendo: «Eu concederei a você copiosas bênçãos e o multiplicarei em grande número.» Abraão perseverou e alcançou a promessa. Na verdade, os homens juram por alguém superior a eles; assim, o juramento é uma garantia para eles e põe fim a qualquer discussão. Por isso, querendo mostrar mais claramente aos herdeiros da promessa que a sua decisão era irrevogável, Deus interveio através de juramento. E assim, dois atos irrevogáveis, nos quais é impossível Deus mentir, trazem poderoso encorajamento para nós que tudo deixamos para nos agarrar firmemente à esperança que nos foi oferecida. A esperança é como âncora para a nossa vida. Ela é segura e firme, é penetrante até o outro lado da cortina do santuário, onde Jesus entrou por nós como precursor, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem do sacerdócio de Melquisedec.

Aleluia

É bom exaltar o Senhor,
e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo (Sl 92, 1).

Proclamar pela manhã o teu amor,
e a tua fidelidade pela noite (Sl 91, 2).

Evangelho

[Mc 9, 17-31]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Marcos.

aquele tempo, um homem veio a Jesus e disse: «Mestre, eu trouxe a ti meu filho que tem um espírito mudo. Cada vez que o espírito o ataca, joga-o no chão e ele começa a espumar, range os dentes e fica completamente rijo. Eu pedi aos teus discípulos para expulsarem o espírito, mas eles não conseguiram.» Jesus disse: «Ó gente sem fé! Até quando deverei ficar com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam o menino aqui.» E levaram o menino. Quando o espírito viu Jesus sacudiu violentamente o menino, que caiu no chão e começou a rolar e a espumar pela boca. Jesus perguntou ao pai: «Desde quando ele está assim?» O pai respondeu: «Desde criança. E muitas vezes já o jogou no fogo e na água para matá-lo. Se podes fazer alguma coisa, tem piedade de nós e ajuda-nos.» Jesus disse: «Se podes!... Tudo é possível para quem tem fé.» O pai do menino gritou: «Eu tenho fé, mas ajuda a minha falta de fé». Jesus viu que a multidão corria para junto dele. Então ordenou ao espírito mau: «Espírito mudo e surdo, eu lhe ordeno que saia do menino e nunca mais entre nele.» O espírito sacudiu o menino com violência, deu um grito e saiu. O menino ficou como morto e por isso todos diziam: «Ele morreu!» Mas Jesus pegou a mão do menino, levantou-o, e o menino ficou de pé. Depois que Jesus entrou em casa, os discípulos lhe perguntaram à parte: «Por que nós não conseguimos expulsar o espírito?» Jesus respondeu: «Essa espécie de demônios não pode ser expulsa de nenhum modo, a não ser pela oração». Partindo daí Jesus e seus discípulos atravessavam a Galiléia. Jesus não queria que ninguém soubesse onde ele estava, porque estava ensinando seus discípulos. E dizia-lhes: «O Filho do Homem vai ser entregue na mão dos homens, e eles o matarão. Mas, quando estiver morto, depois de três dias ele ressuscitará.»

Homilia para o «4º  Domingo da Santa e Grande Quaresma» de S. Emncia. Revma. Dom TARASIOS, Arcebispo Metropolita de Buenos Aires, Primaz e Exarca da América do Sul

este Quarto Domingo da Grande Quaresma, no episódio que ouvimos hoje do Evangelho, Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensina e fala acerca da fé. Detenhamo-nos um momento para refletir sobre isso. O pai do menino possesso se aproxima do Senhor para lhe pedir sua ajuda, dizendo: «se podes fazê-lo». E a imediata resposta do Senhor Jesus é que «tudo é possível para os que crêem».

Vivemos num mundo cada vez mais cético, onde os seres humanos vão se desumanizando, onde a exploração do homem pelo homem é cada vez mais agressiva , tentando anulá-lo totalmente, destruindo a sua dignidade como imagem de Deus

Recentemente, veiculou uma notícia nos jornais, dando conta que, em alguns países da Europa, e também da América do Sul, os trabalhadores que ocupam funções nos caixas dos supermercados são proibidos de irem ao banheiro, vendo-se obrigados a usar fraldas, como bebês. Este é apenas um exemplo do que está acontecendo. Deus já não aparece na vida daqueles que o substituíram por outros «deuses» e ídolos, tais como a ânsia de fazer mais e mais dinheiro e da vontade de poder absoluto.

Então, pessoas como as do exemplo, são excluídas, suas vidas são usurpadas, sofrem de stress e depressão pelo medo de perder seu trabalho, seu sustento. À estas pessoas também chegam a incredulidade, que as conduz a um círculo vicioso, o mesmo em que estão seus exploradores.

Mas o Senhor nos diz que tudo é possível para quem crê, ou seja, para o que tem fé. Isto não é uma possibilidade, mas uma certeza que se pode reverter o que está acontecendo. No Evangelho, escutamos que o Senhor liberta o menino do demônio mudo. Com Sua autoridade e poder, ordena que saia da criança.

Ainda quando, pelas circunstâncias da vida em que a pessoa se encontre, se tão somente tivesse fé do tamanho de um semente de mostarda, com certeza, teria o auxílio de Deus em sua vida.

Sabemos, porém, que os fortes vendavais que sopram por todos os lados do mundo, podem levar para longe esta já frágil fé e, por isso, a exemplo deste pai do menino possuído, devemos suplicar ao Senhor: «Ajuda-me, porque tenho pouca fé».

Somente Jesus Cristo, através de Sua graça na Sua Igreja, pode ajudar a fortalecê-la, a torná-la sólida como a casa construída sobre a rocha, tal como nos relata o Evangelho de São Mateus (cf. Mt 7, 24-29).

Como podemos conseguir? O mesmo Senhor Jesus responde: aquele que me ouve e faz o que eu digo (Mt 7, 24). Aqui está o único que pode nos libertar, como já disse acima, da ansiedade, da angústia, da depressão, das preocupações que nos conduzem a nada do que é bom, senão, destrói a pessoa. É Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que nos conhece a cada um pelo nome, pessoal e individualmente, que sabe das nossas necessidades, antes mesmo de abrirmos a nossa boca para gritar por sua ajuda.

Assim como na passagem do Evangelho que acabamos de ouvir, o menino foi libertado do espírito mudo da mesma forma também Nosso Senhor pode nos libertar de tudo o que nos emudece neste incrédulo mundo, de tudo o que nos causa sofrimento e dor, porque só Ele pode tornar as nossas vidas plenas e preencher as nossas necessidades espirituais e materiais.

Neste período quaresmal, é justo e necessário que nos aproximemos da Semana Santa e da Páscoa vindo e participando em nossa Igreja, dispondo-nos a ouvir a Sua voz, a escutar a Sua palavra e o seu ensinamento e sobre elas refletir. Apropriemo-nos da graça e preparemos nossa libertação e ressurreição, com e em Cristo, Aquele nos dá a verdadeira dignidade de seres humanos, de filhos de Deus, que nos transforma e nos faz participar da Sua Realeza, da vida eterna, em Seu Reino Celestial.

Boa Páscoa!
Buena Pascua!

São João Clímaco

ão João Clímaco nasceu por volta de 579 e morreu no Egito, no ano 649. Aos 60 anos foi eleito abade do Mosteiro do Sinai. Seu nome "Clímaco" é um codinome derivado da obra escrita em grego, intitulada "Klimax tou Paradeisou". Sua obra ficou tão afamada que rapidamente o autor era referido como "João da Escada" ou, "João Clímaco".

Escreveu esta obra quando ainda era abade. Em 30 capítulos ou 30 degraus, como preferia chamar, explicava quais os vícios perigosos para os monges e quais as grandes virtudes que os distinguiam. O próprio João Clímaco comparava sua obra à escada de Jacó ou também aos 30 anos da vida de Jesus.

A obra encontrou aceitação e rápida divulgação: atesta-se a existência de 33 manuscritos gregos, muitas traduções latinas, siríacas, armênias, eslavas e árabes. Junto à obra, como apêndice, está um importante documento que orienta os abades a exercer santamente sua autoridade dentro do monastério.

Para São João Clímaco, o ideal monástico é uma vida hesycasta onde trava-se uma guerra invisível e constante contra os maus pensamentos para que eles não atrapalhem a vida de oração do monge. Ele era um bom conhecedor dos Antigos Padres - dos solitários do deserto egípcio aos Padres da Palestina. Considerava a vida monástica como necessária para a vida da Igreja, não só como um apostolado, mas como exemplo de vida a ser seguida.

Para João Clímaco, os monges devem influenciar a Igreja por viverem uma vida angelical, embora ainda possuíssem um corpo material e corruptível. Dizia que o chamado à vida monástica é para poucos e não para todos.

Após termos vivido as riquezas da celebração do "Domingo da Venerável e Vivificante Cruz", o domingo posterior nos convida a descobrir os valores da oração, do sacrifício e dos jejuns, tendo como exemplo São João Clímaco. Não é difícil encontrarmos cristãos que pensem que a prática da oração constante e do jejum seja um dever exclusivamente daqueles que abraçaram a vida religiosa.

Jesus

Parece que num mundo tão materializado, a prática da oração e do jejum são relegados ao esquecimento. A Igreja enfatiza que tais práticas são extensivas a todos os cristãos, pois através delas encontraremos caminhos que nos levam à santidade. Embora a vida monástica não seja para todos, como dizia São João Clímaco, alguns exemplos porém, devem ser seguidos . Entre eles estão a oração e o jejum. Assim dizia a respeito:

«A Oração é o jejum da mente, pois quando rezamos afastamos dela pensamentos mundanos para nos elevar até Deus. O Jejum e a abstinência de certos alimentos é a oração do corpo, pois educamos nossa vontade corporal para se chegar à perfeição espiritual. O jejum refreia a tagarelice. Ele nos fará misericordiosos e dispostos a obedecer; destrói os pensamentos maus e elimina a insensibilidade do coração.O jejum é uma maneira de exprimir o amor e a generosidade; através dele, sacrificam-se os prazeres da terra, para obter as alegrias do céu».

No jejum, o homem fundamenta sua vida em Deus e não em si mesmo. Através de um corpo educado pela vontade, buscamos a Deus Uno e Trino, verdadeiro alimento e verdadeira água viva.

São João Clímaco definia a oração como uma profunda amizade com Deus. O amigo sente necessidade de estar com o seu amigo. Desta forma a saudade de se estar com Deus é amenizada pela oração. A oração é o oxigênio da alma. É o hálito do Espírito Santo que perpassa todo o interior da pessoa.

«Orai sem cessar», dizia São Paulo. Este conselho paulino não pode ser entendido como o afastamento completo de nossas responsabilidades nem como escusa no cumprimento de nossos compromissos. Devemos rezar em nossos momentos de trabalho. Fazer do nosso trabalho um ato de louvor ao Criador é um ideal.

Grandes monges de longa experiência de vida em oração, nos dão algumas orientações para que possamos chegar ao amadurecimento espiritual. Para iniciarmos uma vida de oração são necessários alguns cuidados: devemos esforçar para evitar tudo o que agita o nosso coração, tudo que é causa de falta de atenção, de super excitação, tudo o que desperta as paixões ou nos torna ansiosos. Na medida do possível, devemos nos libertar do barulho, da agitação e da inquietação. Basta termos certeza que a graça de Deus nos é suficiente e a Ele nos entregar.

Não menos importante é nos libertar das inquietações internas: nossa alma deve estar apaziguada, tranqüila e serena. Não podemos nos apresentar diante de Deus para rezar possuindo sentimentos de rancor, ódio, frieza no coração.

São João Clímaco também nos orienta que para se viver uma vida de oração verdadeira é preciso antes sermos obedientes à voz de nossa alma. Devemos obedecer à voz de nossa alma quando nosso corpo exige que se satisfaça suas vontades. A obediência é um instrumento indispensável, na luta contra a própria vontade.

"Ela é a condenação à morte dos membros do nosso corpo, em benefício da vida do espírito. Ela é ainda a sepultura da vontade própria, e a ressurreição da humildade"

(Escada, Degrau 3:3).

Por mais que façamos jejuns e ofereçamos nossa oração a Deus, é necessário termos consciência de que Deus não precisa do nosso jejum, nem tem necessidade da nossa oração. Ele é perfeito, nada lhe falta, e não pode precisar de coisa alguma que nós, suas criaturas, possamos lhe oferecer. Nada temos para lhe dar; mas, diz São João Crisóstomo, «Ele aceita que lhe apresentemos as nossas ofertas, para nossa própria santificação».

A maior oferenda que podemos apresentar ao Senhor, somos nós mesmos; e, só o poderemos fazer, entregando-lhe nossa vontade. Aprendemos isso pela obediência; e aprendemos a obedecer pela prática. Estar ciente destas verdades e ainda assim sermos pessoas de oração e de jejuns significa que o orgulho e a vaidade foram dominados.

A oração é uma das asas que nos erguem para o céu; a outra é a fé. Com uma asa só, não se pode voar: a fé sem a oração é tão vã quanto a oração sem a fé. Mas, se nossa fé for frágil demais, é bom clamarmos: "Senhor, dai-nos a fé!" . Sem a oração, não esperemos encontrar o que tanto procuramos: Deus. A vida de oração é exercitada pela prática constante. Podemos iniciar a passos lentos mas profundos. Cada passo um após o outro deverá ser sinal de progresso na vida espiritual. O tempo é o que menos conta, a qualidade de nossa oração é que faz a diferença.

Quando oramos, nosso "eu" deve calar-se. Segundo São Basílio, nossa oração deve conter quatro elementos: adoração, ação de graças, confissão dos pecados e pedido de salvação. Tanto a oração e o jejum nos auxiliam para a nossa salvação e santificação. A Igreja nos convida a prosseguir nesta caminhada de riquezas que nos fazem sentir encorajados a prosseguir rumo à perfeição. Que Deus nos ilumine e nos dirija nestes santos propósitos.


Bibliografia:

BERARDINO, Ângelo. Dicionário Patrístico e de Antiguidades Cristãs. Petrópolis: Ed. Vozes, 2002.

 

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