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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
 
 
 

Domingo, 19 de Março de 2017:

3º Domingo da Quaresma:

«Veneração da Santa Cruz»

(4º antes da Páscoa - Modo Plagal 2º)

Memória de São Crisanto e sua mulher Santa Daria,
mártires († 283) de Atenas.

Liturgia de São Basílio, o Grande.

Matinas

[Lc 24, 36-53]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo São Lucas.

aquele tempo, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco. E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos aos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, não o crendo eles ainda por causa da alegria, e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel; o que ele tomou, e comeu diante deles. E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos. Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras. E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. E destas coisas sois vós testemunhas. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. E levou-os fora, até betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu. E, adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém. E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus. Amém.

Divina Liturgia

Apolitikion da Ressurreição

Enquanto Maria estava, diante do sepulcro,
à procura do teu imaculado Corpo,
os Anjos apareceram em teu túmulo e as sentinelas desfaleceram.
Sem ser vencido pela morte, submeteste ao teu domínio o reino dos mortos;
e vieste ao encontro da Virgem revelando a vida.
Senhor, que ressurgiste dos mortos, glória a ti!

Apolitikion Próprio (Modo 4)

Salva, Senhor, o teu povo e abençoa a tua herança!
Concede à tua Igreja a vitória sobre o mal
e guarda o teu povo pela tua Cruz.

Theotokion

Clamando com a tua bendita Mãe,
voluntariamente, viste padecer, irradiando na cruz;
desejaste encontrar Adão, dizendo aos anjos:
Alegrem-se comigo, porque foi encontrado a dracma perdida.
Deus nosso, que com sabedoria tudo consolidaste, glória a ti!

Kondakion

Levantando, com sua vivificante mão, todos os mortos dos vales tenebrosos,
Cristo Deus, Doador da vida, quis conceder a ressurreição ao gênero humano;
pois ele é o Salvador, a Ressurreição, a Vida e o Deus de todos.

Kondakion Próprio

Doravante, a espada de fogo não guardará mais a porta do Éden,
porque o madeiro da Cruz apagou-a de modo maravilhoso;
a morte foi vencida e a vitória dos infernos anulada.
E Tu, ó meu Salvador, te dirigiste aos que nele estavam,
dizendo: "entrai de novo no paraíso!"

Kondakion Final

Nós, teus servos, ó Mãe de Deus,
te conferimos os lauréis da vitória,
penhor de nossa gratidão,
como a um general que combateu por nós
e nos salvou de terríveis calamidades.
E, como tens um poder invencível,
livra-nos dos perigos de toda espécie
para que te aclamemos: salve, Virgem e Esposa!

Trisagion

Adoramos a tua Cruz , ó Mestre, e glorificamos a tua santa Ressurreição (3 x).

Prokimenon

Salva, Senhor, o teu povo, e abençoa a tua herança (Sl 28, 9).

Clamo a ti, Senhor, meu rochedo, presta ouvido aos meus rogos (Sl 28, 1).

Epístola

[Hb 4, 14-5, 6]

Epístola aos Hebreus.

rmãos, nós temos um sumo sacerdote eminente, que atravessou os céus: Jesus, o Filho de Deus. Por isso, mantenhamos firme a fé que professamos. De fato, não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado como nós, em todas as coisas, menos no pecado. Portanto, aproximemo-nos do trono da graça com plena confiança, a fim de alcançarmos misericórdia, encontrarmos graça e sermos ajudados no momento oportuno. Todo sumo sacerdote, escolhido entre os homens, é constituído para o bem dos homens nas coisas que se referem a Deus. Sua função é oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Desse modo, ele é capaz de sentir justa compaixão por aqueles que ignoram e erram, porque também ele próprio está cercado de fraqueza; e, por causa disso, ele deve oferecer sacrifícios, tanto pelos próprios pecados como pelos pecados do povo. Ninguém pode atribuir a si mesmo essa honra, se não for chamado por Deus, como o foi Aarão. Da mesma forma, Cristo não atribuiu a si mesmo a glória de ser sumo sacerdote; esta lhe foi conferida por aquele que lhe disse: «Você é o meu Filho, eu hoje o gerei.» E, noutra passagem da Escritura, ele diz: «Você é sacerdote para sempre, segundo a ordem do sacerdócio de Melquisedec.»

Aleluia

Quem habita ao abrigo do Altíssimo
e vive à sombra do Senhor onipotente (Sl 91, 1).

Diz ao Senhor: sois meu refúgio e proteção;
sois o meu Deus no qual confio inteiramente (Sl 91, 2).

Evangelho

[Mc 8, 34-9, 1]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Marcos.

aquele tempo, Jesus chamou a multidão e os discípulos. E disse: «Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim e da Boa Notícia, vai salvá-la. Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se perde a própria vida? Que é que um homem poderia dar em troca da própria vida? Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras diante dessa geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória do seu Pai com seus santos anjos». E Jesus dizia: «Eu garanto a vocês: alguns dos que estão aqui, não morrerão sem ter visto o Reino de Deus chegar com poder.»

Hirmos

Ó cheia de graça, em ti rejubila-se toda a Criação.
A assembléia dos anjos e o gênero humano te glorificam,
ó templo santificado, paraíso espiritual e glória das virgens,
na qual Deus se encarnou e da qual tornou-se Filho
Aquele que é nosso Deus antes dos séculos.
Porque fez de teu seio um trono
e as tuas entranhas, mais vastas do que os céus.
Ó cheia de graça, em ti rejubila-se toda a Criação e te glorifica!

 

Procissão e Adoração da Santa Cruz

Este ofício tem sua origem nos costumes antigos da Igreja. Era feito no fim da Grande Doxologia das Matinas, antes de iniciar a Santa Liturgia. Hoje em dia, nas maiorias das igrejas, é comum celebrá-lo ao fim da Divina Liturgia, depois da Apólisis. Os cantores entoam o "Santo Deus ..." segundo o "tom lento" enquanto o sacerdote incensa a cruz colocada sobre o altar (a cruz manual ou outra, do mesmo tamanho) que, levantando-a, põe em uma bandeja com palmas e flores e sai pela porta norte precedido pelos ceroferários, turiferário e cantores. O diácono (ou um ajudante) irá incensando a cruz durante toda a procissão que seguirá circulando a Igreja. Finalmente, coloca-se diante do iconostase e, de frente para uma pequena mesa revestida por uma toalha branca, faz em torno dela três voltas e detendo-se diante da mesa e voltado para o Oriente, diz:

Sacerdote: Sabedoria! Estejamos atentos!
E coloca a bandeja com a cruz sobre a mesa, incensando em seguida em torno dela, enquanto canta:
Apolitikion (Modo 1)
Sacerdote: Salva, Senhor, o teu povo e abençoa a tua herança.
Concede à tua Igreja a vitória sobre o mal
e e guarda o teu rebanho pela tua Cruz.
Coro: Salva, Senhor, o teu povo
e abençoa a tua herança (2 x).
Sacerdote: Tem piedade de nós, ó Deus, segundo a tua grande misericórdia,
nós te suplicamos, escuta-nos e tem piedade de nós!
Coro: Kyrie, eleison (40 x)
E os cantores cantam a primeira série de "Kyrie, eleison" enquanto o sacerdote faz, com a bandeja e a cruz, o sinal da cruz e, prostrando-se, faz tocar a fronte no chão. Levantando-se lentamente ao ritmo da melodia do "Kyrie, eleison". O mesmo fará depois de cada uma das seguintes súplicas que são cantadas ao lado direito da mesa:
Sacerdote: Oremos ainda pelo Brasil, nosso amado país protegido por Deus,
seus governantes e força de segurança.
Coro: Kyrie, eleison (40 x)
Como antes, faz a grande metania e enquanto o coro canta, vai até o lado oriental da mesa e, voltando-se para o Ocidente, diz:
Sacerdote: Oremos ainda pelo nosso santo pai, o patriarca N. ... ,
pelo nosso metropolita N. ... , (arcebispo, ou bispo),
pelos sacerdotes, diáconos, monges, religiosos
e por todos os nossos irmãos e irmãs em Cristo.
Coro: Kyrie, eleison (40 x)
Após a reverência o sacerdote dirige-se ao lado Sul e, voltando-se para o Norte diz:
Sacerdote:
Sacerdote: Oremos também por todos os fiéis cristãos ortodoxos,
pela saúde, salvação e pelo perdão de seus pecados.
Coro: Kyrie, eleison (40 x)
O sacerdote repete a reverência, dirigindo-se em seguida para o lado ocidental da mesa e, voltado para o Oriente, diz:
Sacerdote: Oremos ainda pelos benfeitores desta santa Igreja,
pelos que nela se afadigam e cantam
e por este povo aqui presente, que espera de Deus
a sua grande e abundante misericórdia.
Coro: Kyrie, eleison (40 x)
O sacerdote faz novamente uma reverência profunda enquanto o coro canta a quinta série de "Kyrie, eleison". Levanta-se em seguida e, elevando a bandeja com a cruz e as flores, diz:
Kondakion:
Sacerdote: Ó Cristo Deus, que voluntariamente foste suspenso à Cruz,
tem compaixão do povo que traz o teu nome.
Alegra, pelo teu poder, a tua santa Igreja
dando-lhe a vitória sobre o mal.
Que tua aliança seja para nós
uma arma de paz e um troféu de vitória.
Abençoa com a cruz os fiéis e, colocando a bandeja sobre a mesa, canta:
Trisagion:
Coro: Adoramos a tua Cruz , ó Mestre,
e glorificamos a tua santa Ressurreição (3 x).

Glória ao Pai ...

E glorificamos a tua santa Ressurreição.
Adoramos a tua Cruz, ó Mestre ...
O sacerdote faz uma inclinação e adora a santa Cruz, sendo seguido por todos os fiéis. Enquanto isso, as flores são distribuídas a todos os que se aproximam da santa Cruz, enquanto o coro canta:
Coro: Vinde fiéis! Adoremos o Madeiro que dá a vida,
no qual, Cristo, o Rei da glória,
estendeu voluntariamente seus braços,
restaurando em nós a felicidade primitiva;
nós que, dominados pelo mal e pelas paixões
estávamos afastados de Deus.
Vinde, adoremos a Cruz,
que nos dá a vitória sobre o mal.
Vinde, povos da terra,
honremos com hinos a Cruz do Senhor, cantando:

Salve ó Cruz, libertação de Adão decaído,
porque em ti, toda a Igreja se alegra!
Nós, fiéis, a venerar-te com respeito e devoção,
glorificamos a Deus que em ti foi fixado, dizendo:
Senhor que foste crucificado, tem piedade de nós,
porque Tu és bom e filântropo!

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.
Sacerdote:

Cumprida, Senhor foi a palavra de teu profeta Moisés:
«Vereis vossa Vida suspensa a vossos olhos».
Hoje, a Cruz é exaltada e o mundo se liberta do erro.
Hoje, renova-se a ressurreição de Cristo;
regozijam-se os confins da terra,
e, com hinos e salmos, como outrora Davi, exclamam:
«Realizaste hoje, a salvação do mundo,
passando pela Cruz e a Ressurreição,
pelas quais nos libertaste, Senhor Nosso Deus!»
Ó Tu, que amas a humanidade, glória a Ti!

E conclui o Ofício com a Apólissis própria do dia.


o calendário Litúrgico Bizantino há duas datas nas quais veneramos a Santa Cruz, tamanha é a relevância e o simbolismo deste instrumento de morte que se transformou em instrumento de vida e salvação para os cristãos: 14 de setembro (festa principal) e no Terceiro Domingo da Quaresma.

A Santa Cruz transformou-se, no decorrer dos acontecimentos da vida da Igreja, no arquétipo da ação salvífica de Deus e no modelo de resposta do homem. Deus salva os homens pela Cruz, através de seu Filho que, obediente à vontade do Pai, a abraçou restaurando aos homens a dignidade filial perdida.

Os primeiros cristãos, conforme relata São Paulo em suas cartas, começavam a descobrir as riquezas do mistério da morte de Jesus na cruz, quando à luz da Ressurreição a vislumbravam como meio de salvação e não como instrumento de perdição. Já que o Senhor havia morrido numa cruz, em obediência à vontade do Pai, ela foi acolhida como sinal de humildade e sujeição aos desígnios de Deus. A resposta do homem ante a vontade divina passou a ser dada de maneira consistente: a fé no Ressuscitado movia os corações a uma plena compreensão do plano salvífico.

São Paulo não se limitou apenas a ensinar sobre o poder que tem a Cruz de libertar os homens do pecado, do egoísmo e da morte. Ele foi além dessas verdades estendendo o seu significado. Deu à Cruz a dimensão de Redenção, vendo nela o meio necessário para que fosse selada a Nova Aliança entre Deus e os homens.

Todo cristão, por participar do amor e da obediência de Cristo na Cruz, morre para o pecado que o impede de amar a Deus e aos homens de forma plena e livre. Santo Inácio de Antioquia ( + 117) e São Policarpo (+ 165) lembravam os sofrimentos de Cristo constantemente em suas pregações, para enfatizar a todos os cristãos que no escândalo da Cruz se ocultava o profundo amor de Deus pelos homens. Na cruz trilhava-se o caminho para se chegar à Ressurreição. Por isso, os cristãos do Oriente veneram a Cruz como símbolo da vitória sobre a morte.

Todo sofrimento, angústia, desespero e morte tornam-se secundários diante da magnitude da Ressurreição. O cristão ortodoxo contempla a Cruz resplandecente, mergulhado no espírito pascal: o Senhor não terminou sua missão na Cruz, mas fez dela um instrumento de passagem para se chegar à Vida.

A Cruz para um cristão que esteja imbuído deste espírito torna-se fonte de bênçãos. A loucura da Cruz de Cristo ganha a dimensão do amor infinito e totalmente oblativo. Hoje em dia são muitos os que tem dificuldade em compreender a teologia da Cruz. Parecem fugir dela por medo de sofrer. O sofrimento e a dor fazem parte da humanidade. Sofremos ao nascer, sofremos durante a vida e a morte virá com muito ou pouco sofrimento, mas virá com ele. Não podemos mudar esta realidade que nos é inerente por natureza. Como cristãos podemos mudar a compreensão que damos ao sofrimento.

A Cruz, antes vista como horror e escândalo, passou a ser compreendida como instrumento de salvação. Para que cheguemos a este amadurecimento espiritual é necessário o encontro com o Senhor Crucificado que padeceu os horrores da dor, para que Ele mesmo nos conduza às alegrias da Ressurreição.

Venerar a Cruz é venerar a história humana. Contemplar a Cruz é contemplar os seres humanos nos mais diversos continentes do mundo. Venerar a Cruz gloriosa e vivificante é restabelecer à história humana sua grandeza na História da Salvação. A Cruz sem Deus revela o abandono e a morte. A Cruz com Deus é sinal de esperança e vida nova.

Neste terceiro Domingo da Quaresma a Igreja nos convida a refletir sobre a dimensão que damos à Cruz e ao sofrimento em nossas vidas. Nossa postura frente à Cruz e ao sofrimento humano deve assemelhar-se à postura de Maria e a de João, o discípulo do amor. Estavam em pé diante do Crucificado, contemplando Aquele que era a Ressurreição e a Vida. Mesmo sem entender o que estava acontecendo conservavam tudo isso no coração. Não procuravam uma explicação racional e uma lógica que os fizessem compreender o sofrimento de Jesus. A lógica que os fazia silenciar e aceitar os desígnios de Deus era a obediência e a entrega à vontade do Pai.

Quando racionalmente procuramos explicações para o sofrimento e a cruz, fatalmente cairemos em subjetivismos perigosos que nos poderão levar a erros e a desvios da fé apostólica. O homem por si só não pode explicar os mistérios de Deus. A lógica divina não obedece os parâmetros racionais humanos. A Cruz para a Igreja é sinal e instrumento de Salvação. Por isso, os cristãos de tradição bizantina a veneram gloriosa e vivificante, despida dos sentimentos mórbidos que poderiam ofuscar a sua magnitude. O sofrimento, as dores e a morte que o Senhor sofreu por meio dela, por mais terríveis que pudessem ser, fez dela veículo da nossa salvação.

Em recente entrevista à Revista 30 Dias, assim se expressou Sua Santidade o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, referindo-se a relação existente entre a Igreja e a Cruz:

«A Igreja deve apoiar a sua força na sua fraqueza humana, na loucura da Cruz (escândalo para os Judeus, loucura para os Gregos), e a sua esperança na ressurreição de Cristo. Privada de todo poder mundano, perseguida e entregue cotidianamente à morte, a Igreja faz com que surjam santos, que guardam a Graça de Deus em vasos de argila, que vivem dentro da luz da Transfiguração e são conduzidos por Deus ao martírio e ao sacrifício.»

Um cristão, à Luz da Ressurreição, carrega sua cruz subindo o Calvário para a Santidade. O madeiro que sustentou o corpo do Senhor Crucificado tornou-se Árvore da Vida, pois nele foi selado o Novo Testamento, a Nova Aliança. Deus pôs no santo Lenho da Cruz a salvação da humanidade, para que a vida ressurgisse de onde viera a morte.

Durante o Rito de veneração à Santa e Vivificante Cruz, entoa-se um canto que nos convida a contemplar o madeiro sagrado que nos deu a vitória sobre o mal:

«Vinde, fiéis! Adoremos o Madeiro que dá a vida,
no qual Cristo, o Rei da Glória,
estendeu voluntariamente, seus braços,
restaurando em nós a felicidade primitiva.
Vinde,adoremos a Cruz
que nos dá a vitória sobre o mal.»

Mais forte é o significado da segunda parte deste mesmo hino que nos faz compreender a dimensão e a grandeza da Cruz de Cristo:

«Hoje, a Cruz é exaltada
e o mundo se liberta do erro.
Hoje, renova-se a Ressurreição de Cristo,
regozijam-se os confins da terra..."

Na Cruz renova-se a Ressurreição. Pela Cruz a Vida nos é possível. Pela Cruz a Santidade é uma realidade presente. Basta o encontro com o Senhor e nossa entrega total a Vontade de Deus.

O silêncio e a meditação nos auxiliarão, nesta Quaresma, a ver na Cruz e no sofrimento riquezas espirituais nunca antes vislumbradas por nós, mas já vividas pelos santos. Meditando sobre a Cruz à luz da Ressurreição, "adoramos a tua Cruz, ó Mestre e glorificamos a tua Santa ressurreição."


Bibliografia:

DE FIORES, Stefano. Dicionário de Espiritualidade, São Paulo: Ed. Paulinas, 1989,

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