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Sexta-feira, 26 de Setembro:
 
 
 

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«Dormição do Apóstolo São João,
o Teólogo»

São João, o Apóstolo Virgem, é sem dúvida um dos maiores santos da Igreja, merecendo o título de “o Discípulo a quem Jesus amava”. Junto à Cruz, recebeu do Redentor como Mãe, a Santíssima Virgem Maria, e com Ela - como Fonte da Sabedoria - a segurança doutrinária que lhe mereceu dos Padres da Igreja o título de "o Teólogo" por excelência. A águia, símbolo da sublimidade de sua teologia, é o símbolo iconográfico de São João, o Teólogo.

Tropários da Festa:

Apolitíkion

Apóstolo predileto do Cristo Deus,
apressa-te em ajudar um povo sem defesa.
Aquele que te concedeu reclinar a cabeça sobre o seu peito
te acolha aos seus pés a fim de interceder por nós.
O Teólogo, suplica-lhe para que dissipe a nuvem persistente do paganismo
e pede por nós a paz e uma misericórdia abundante

Prokímenon

Os céus manifestam a glória de Deus
e o firmamento proclama as obras de suas mãos (Sl 19,1).

A toda terra chega a sua voz
e a todas as partes a sua mensagem (Sl 19,4)

Epístola

1Jo 4,12-19

Leitura da Primeira Epístola de São João

rmãos, ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito. Nisto é que conhecemos que estamos nele e ele em nós, por ele nos ter dado o seu Espírito. E nós vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo. Todo aquele que proclama que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus. Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele. Nisto é perfeito em nós o amor: que tenhamos confiança no dia do julgamento, pois, como ele é, assim também nós o somos neste mundo. No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor. Mas amamos, porque Deus nos amou primeiro.

Aleluia:

Aleluia, aleluia, aleluia!

Cantarei para sempre o amor do Senhor
e anunciarei tua fidelidade de geração em geração.
Aleluia, aleluia, aleluia!

O céu proclama tua maravilha
e tua fidelidade proclamam os anjos.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

Jo 19, 25-27; 21, 24-25

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo o evangelista São João

unto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: «Mulher, eis aí teu filho». Depois disse ao discípulo: «Eis aí tua mãe». E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa. Este é o discípulo que dá testemunho de todas essas coisas, e as escreveu. E sabemos que é digno de fé o seu testemunho. Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever.

Pe. Pavlos Tamanini

ão João, que em hebraico significa «Deus concede a graça», na tradição bizantina é chamado habitualmente "o Teólogo", título reservado a poucos e, particularmente, apropriado ao Apóstolo, sempre citado entre os primeiros, cuja insigne doutrina, através do seu evangelho, das Epístolas e do Apocalipse, tem nutrido a Igreja de todos os tempos.

Enquanto os fiéis latinos celebram a festa de São João em 27 de dezembro, os fiéis do Oriente bizantino comemoram solenemente esse santo duas vezes: em 26 de setembro, dia da Dormição do Apóstolo (isto é, dia da sua morte) e no dia 8 de maio. O tropário e o kondakion são os mesmos nas duas festas, e também boa parte do ofício próprio do santo, contido nos Minéa, é comum. Dos textos do Ofício podemos depreender todos os dados essenciais da biografia do mais moço dos doze Apóstolos, o qual teve também o privilégio de testemunhar o Cristo até a idade mais avançada. O primeiro texto sobre São João, nos é informado que ele é filho de Zebedeu e que a ele foi dado a graça das visões apocalípticas e de chamar Deus de AMOR. Ele é lembrado como o "Filho do Trovão" e com freqüência somos admoestados pelo seu ensinamento sobre o «Verbo que era desde o princípio e que estava junto do Pai inseparavelmente; igual a Ele na natureza».

Nas Vésperas as três leituras bíblicas são tiradas da primeira epístola de São João, dando destaque especialmente aos trechos em que ele se manifesta como o Apóstolo do amor (final do cap. 3, o cap. 4 quase por inteiro e o início do cap. 5).

No Cânon destaca-se a dúplice palavra que Jesus, na cruz, dirige à sua Mãe:

«Discípulo virgem,
recebeste a honra de ser adotado
como filho pela Virgem imaculada;
te tornaste irmão daquele que te escolheu
e fez de ti o seu Teólogo".
"Discípulo do Salvador,
na Cruz Cristo confiou a ti, Teólogo virgem,
a Puríssima Theotókos;
então cuidaste dela como a pupila dos teus olhos:
intercede pela salvação de nossas almas».

Nas Laudes se recorda que o "discípulo virgem, igual aos anjos, evangelista São João, teólogo formado por Deus", anunciou ao mundo a ferida no lado de Cristo da qual saiu "sangue e água de onde jorra vida eterna para as nossas almas".

Tampouco é esquecida a atividade apostólica de João, em que se usam por vezes imagens poéticas, tão queridas aos orientais, como no katisma poético do Órthros.

«Tendo abandonado as águas profundas em que pescavas,
ó Apóstolo ilustre,
com o caniço da Cruz
sabiamente pegaste, feito peixes, o conjunto das nações
e, como Cristo te dissera,
foste pescador de homens, atraindo-os à fé;
tendo semeado o conhecimento do Verbo de Deus,
com tuas palavras colheste Éfeso e Patmos.
Ó apóstolo São João
intercede junto do Cristo nosso Deus,
a fim de que conceda a remissão dos pecados
a quantos celebram de coração a tua sacra memória».

A iconografia de São João estende-se pelos séculos em amplos espaços geográficos. Na tradição bizantina predominam duas representações: do santo aos pés do Crucificado, freqüentemente ao lado oposto de onde se encontra a Virgem (à direita do Cristo), sem as demais pessoas, embora lembradas nos evangelhos, presentes no Calvário ou então o Evangelista é representado sentado, por vezes tendo ao lado o símbolo da águia, ditando ao seu escriba Prócoro a revelação. Ao centro do Iconostase, nas Portas Reais, debaixo da cena da Anunciação, é freqüente a representação dos quatro evangelistas. São João é logo reconhecível, pois é o único. que está ditando a um discípulo. Na iconografia da Santa Ceia o discípulo amado é sempre representado com a cabeça sobre o peito do Mestre. Ele está presente também em numerosas cenas evangélicas ou tradicionais, como a Transfiguração, o Pentecostes, a Dormição da Virgem e muitas outras.

JesusCom a liturgia bizantina, peçamos ao discípulo de Cristo, ao Apóstolo da luz e do amor, tão bem retratado nas Sagradas Escrituras, “para que ilumine todo homem e o leve ao conhecimento de Deus".

Filho de Zebedeu e Salomé, pescadores da Galiléia, foi o primeiro discípulo, com Santo André, que se encontrou com Jesus à beira do Jordão, que os convidou a segui-lo. Nas listas dos apóstolos, João sempre apareceu com seu irmão Tiago imediatamente depois de Pedro e André.

João, juntamente com Pedro e Tiago, formam a tríade privilegiada que Jesus levou consigo nos momentos mais solenes, como na ressurreição da filha de Jairo, na transfiguração do Tabor e na agonia do Getsêmani.

A consciência desta preferência de Cristo e certo ciúme da liderança de Pedro no grupo dos doze levaram os dois irmãos, Tiago e João, a solicitar a Jesus uma declaração explícita e definitiva: "Mestre, queremos que nos concedas tudo o que te vamos pedir". Respondeu-lhes Jesus: "Que quereis que eu vos faça?" 'Concede-nos que nos assentemos na tua glória, um a tua direita e outro à tua esquerda".

Jesus não lhes concedeu este pedido, mas lhes confirmou que deveriam padecer muito por amor dele: "Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que eu vou beber, e podeis ser batizados com o batismo que eu vou receber?" Eles responderam: "Podemos". Jesus, então, lhes disse: "Bebereis o cálice que vou beber e sereis batizados com o batismo com que vou ser batizado. Todavia, sentar à minha direita ou à minha esquerda não cabe a mim concedê-lo, mas é para aqueles a quem está preparado" (Mc 10,35-40).

Depois de Pentecostes, a presença e a ação de João foram de grande importância para a consolidação da comunidade primitiva na Judéia, como testemunham as numerosas citações do seu nome nos Atos dos Apóstolos. Depois da dispersão dos apóstolos, São João dedicou-se a fundar e firmar as igrejas na Ásia Menor.

“Foi precisamente o cuidado pastoral das Igrejas que levou o apóstolo João a escrever nos seus últimos anos o Apocalipse, o quarto evangelho, e três epístolas. Escreveu o Apocalipse para confortar os cristãos durante a perseguição de Domiciano. Descreve nele o poder sublime do Cordeiro sacrificado, as grandes tribulações dos fiéis, o castigo dos perseguidores e o triunfo final da Igreja. Terminada a perseguição e estabelecido em Éfeso, João escreveu o evangelho e suas epístolas”.

Este evangelho é o mais belo, e o mais sublime. Pressupõe os outros três, completa-os com episódios preciosos, interpreta-os e os comprova.

Em suas epístolas respira-se o amor que nos leva a Deus e nos prende ao próximo. Conta-se que, já idoso, ao ser levado por seus discípulos à igreja, só repetia estas palavras: "Meus filhinhos, amai-vos uns aos outros, pois no amor está incluída toda a Lei de Deus".

Provavelmente faleceu em Éfeso no tempo do Imperador Trajano (98-117).


Fontes:

DONADEO, Madre Maria
"O Ano litúrgico Bizantino" - Ed Ave Maria

 

 

São João, o Teólogo

santo e glorioso Apóstolo e Evangelista e amado amigo de Cristo, São João, o Teólogo, era filho de Zebedeu e Salomé, uma das filhas de São José, esposo de Maria. Nosso Senhor Jesus Cristo o chamou para ser um de Seus Apóstolos, juntamente com seu irmão mais velho, Tiago. Os dois irmãos foram convocados no Lago Genezaré (Mar da Galiléia), e deixaram sua família para seguir ao Senhor.

Nosso Salvador tinha grande amor pelo Apóstolo João por seu amor oferente e sua pureza de corpo e alma. Após seu chamado, o Apóstolo esteve com o Senhor em todos os momentos, e era um dos três Apóstolos mais próximos a Cristo - ele esteve presente quando Nosso Senhor ressuscitou a filha de Jairo, e foi testemunha de Sua Transfiguração no Monte Tabor.

Durante a Última Ceia, ele deitou sua cabeça no colo do Senhor, e perguntou-Lhe o nome do traidor. Após a prisão de Cristo no Jardim do Getsêmani, São João seguiu o Senhor até a corte dos sumos sacerdotes Anás e Caifás, testemunhou o interrogatório de seu Mestre e o seguiu até o Gólgota, com o coração pesaroso.

Ele permaneceu aos pés da Cruz junto com a Mãe de Jesus e o Senhor Crucificado lhes disse: “Mulher, eis aí teu filho”. O Senhor então lhe disse “Eis aí tua mãe” (Jo 19:26-27). Daquele momento em diante, São João, como um filho amoroso, cuidou da Santa Virgem Maria e a serviu até sua Dormição.

Após a Dormição da Mãe de Deus, o Santo Apóstolo João partiu para diversas cidades da Ásia Menor para pregar o Evangelho, levando com ele seu discípulo Prócoro. Quando estavam se dirigindo para Éfeso por mar, uma terrível tempestade afundou seu navio. Todos os viajantes conseguiram chegar em terra firme, exceto o Apóstolo, que afundara. Muito triste após a perda de seu guia e pai espiritual, Prócoro decidiu partir sozinho para Éfeso.

No décimo quarto dia de sua jornada pelo litoral, ele viu que o mar havia trazido um homem à praia. Ao se aproximar, Prócoro viu que se tratava do Apóstolo João, que fora mantido vivo pelo Senhor por catorze dias no mar. Então, mestre e discípulo partiram para Éfeso, onde o Apóstolo pregou incessantemente para os pagãos. Durante sua pregação ele fez inúmeros milagres, convertendo mais e mais pessoas a cada dia.

Naquele tempo, porém, o imperador Nero (56 - 68 d.C.) iniciara a perseguição aos cristãos. São João foi levado à Roma para ser julgado. Por professar sua fé em Jesus Cristo, ele foi condenado à morte por envenenamento, mas o Senhor o salvou - após beber um cálice de veneno mortal, nada lhe aconteceu. Ele também saiu ileso de um caldeirão de óleo fervente no qual ele fora jogado pelo torturador.

Após tudo isso, o Apóstolo foi exilado para a ilha de Patmos, onde viveu por muitos anos. Enquanto estava a caminho do local de exílio, São João fez vários milagres. Ao chegar na ilha, sua pregação e seus milagres atraíram os ilhéus, que foram convertidos pela luz da Boa Nova. Ele também expulsou os demônios dos templos pagãos e curou muitos enfermos.

Feiticeiros com poderes demoníacos se opuseram à pregação do Santo Apóstolo. Seu líder, um feiticeiro chamado Kinops, declarou que destruiria o Apóstolo. Mas o grande São João, pela graça de Deus, destruiu todos os ardis demoníacos de Kinops, e o arrogante feiticeiro se suicidou lançando-se ao mar.

Então, São João retirou-se com seu discípulo para uma colina desolada, jejuando por três dias. Durante uma de suas orações a terra tremeu e os céus trovejaram. Prócoro se atirou ao chão, assustado. O Apóstolo o ajudou a levantar-se, dizendo-lhe para escrever o que ele iria dizer. “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor Deus, aquele que é, aquele era, e aquele que vem, o Todo-Poderoso” (Apocalipse 1:8), proclamou o Espírito de Deus através do Apóstolo João. E assim, no ano de 67 d.C., foi escrito o Livro das Revelações, também conhecido como “Apocalipse” do Santo Apóstolo João, o Teólogo. Esse livro fala sobre uma período de tribulação da Igreja e do fim do mundo.

Após seu longo exílio, São João ganhou a liberdade e retornou a Éfeso, onde continuou seu trabalho, instruindo os cristãos a terem cuidado com falsos profetas e seus ensinamentos errôneos. No ano de 95, o Apóstolo escreveu seu Evangelho em Éfeso.

Ele ensinava aos cristãos para amarem ao Senhor e uns aos outros, cumprindo desse modo os mandamentos de Cristo. A Igreja chama São João de “Apóstolo do Amor”, porque ele dizia constantemente que o homem não pode se aproximar de Deus sem amor.

Em suas três Epístolas, São João fala da importância do amor a Deus e ao próximo. Já em idade avançada, ele soube de um jovem que se perdera ao juntar-se a um grupo de bandoleiros, e decidiu então sair em busca do rapaz. Ao ver o Santo ancião, o jovem tentou fugir, mas o Apóstolo o alcançou. Ele prometeu ao jovem que seus pecados seriam perdoados se ele se arrependesse e não levasse sua alma à perdição. Movido pelo intenso amor do Ancião, o jovem bandido se arrependeu e deixou a vida de crimes.

São João viveu até os 100 anos, mais do que qualquer outro Apóstolo, e por muito tempo ele foi a única testemunha terrestre da vida terrena do Salvador. Quando chegou a hora de seu descanso, São João retirou-se para fora de Éfeso, acompanhado por seus discípulos e suas famílias. Ele pediu que lhes preparassem um túmulo em forma de cruz, onde ele se deitou, pedindo em seguida para que seus discípulos o enterrassem. Com muita tristeza e lágrimas nos olhos, os discípulos se despediram de seu querido mestre, e embora tristes, obedeceram suas ordens, envolvendo-o em um sudário e cobrindo-o com terra.

Após o enterro, outros discípulos vieram visitar à sepultura para se despedir. Ao abrir a cova, ela estava vazia.

A partir de então, a cada ano no dia 8 de maio, brotava do túmulo do Apóstolo uma fina areia, que curava as enfermidades dos fiéis. Por isso que a Igreja também celebra o milagre de São João no dia 8 de maio.

Nosso Senhor deu a seu amado discípulo João e a seu irmão, Tiago, o nome de “Filhos do Trovão”, pois o trovão é um terrível mensageiro em seu poder purificador do fogo celeste. E justamente por este motivo que o Salvador destacou o caráter exaltado, ígneo e sacrificial do amor cristão, cujo principal mensageiro foi o Apóstolo João.

A águia, símbolo da sublimidade de sua teologia é o símbolo iconográfico do Santo Evangelista João. São João é o único dentre os Apóstolos de Cristo que recebe o epíteto “Teólogo”, pois ele foi profeta dos misteriosos Julgamentos de Deus.


Fonte:

Orthodox Church in America
Trad.: Ricardo Williams G. Santos

 

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