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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
 
 
 

Sábado, 08 de Abril de 2017:

«Sábado de Lázaro»

Memória de São Celestino I, papa de Roma († 432).

Liturgia

Apolitikion (Modo 1)

Ó Cristo Deus, dando-nos, antes da tua Paixão,
uma garantia da ressurreição geral,
ressuscitaste Lázaro dos mortos;
por isso, nós também, como os filhos dos hebreus,
levamos os símbolos da vitória, clamando:
Ó vencedor da morte, hosana nas alturas!
Bendito o que vem em nome do Senhor!

Kondakion

Ó Cristo, alegria de todos,
Verdade, Luz, Vida e Ressurreição do mundo,
manifestou-se na sua bondade aos que estão sobre a terra,
fez-se modelo da Ressurreição,
dando a todos o perdão divino.

Trisagion

Vós que fostes batizados em Cristo,
de Cristo vos revestistes. Aleluia! (3 x)

Glória ao Pai...

De Cristo vos revestistes. Aleluia!

Vós que fostes batizados em Cristo,
de Cristo vos revestistes. Aleluia!

Prokimenon

O Senhor é minha luz e minha salvação,
a quem temerei?

O Senhor é o protetor de minha vida,
de quem terei medo?

Epístola

Epístola aos Hebreus.

[Hb 12, 28-13, 8]

rmãos, já que recebemos um reino inabalável, conservemos bem essa graça. Por meio dela, sirvamos a Deus de tal modo que o agrademos, isto é, com respeito e temor. Pois o nosso Deus é um fogo devorador. Perseverem no amor fraterno. Não se esqueçam da hospitalidade, pois algumas pessoas, graças a ela, sem saber acolheram anjos. Lembrem-se dos presos, como se vocês estivessem na prisão com eles. Lembrem-se dos que são torturados, pois vocês também têm um corpo. Que todos respeitem o matrimônio e não desonrem o leito nupcial, pois Deus julgará os libertinos e adúlteros. Que a conduta de vocês não seja inspirada pelo amor ao dinheiro. Cada um fique satisfeito com o que tem, pois Deus disse: «Eu nunca deixarei você, nunca o abandonarei.» Assim, podemos dizer com ânimo: «O Senhor está comigo, eu não temo. O que é que me poderá fazer um homem?» Lembrem-se dos dirigentes, que ensinaram a vocês a Palavra de Deus. Imitem a fé que eles tinham, tendo presente como eles morreram. Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje, e será sempre o mesmo.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!

O Senhor reina, ele está revestido de majestade,
vestiu-se o Senhor de fortaleza e cingiu-se dela.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Porque firmou a terra e ela não será abalada.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

[Jo 11, 1-45]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São João.

aquele tempo, um tal de Lázaro tinha caído de cama. Ele era natural de Betânia, o povoado de Maria e de sua irmã Marta. Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com perfume, e que tinha enxugado os pés dele com os cabelos. Lázaro, que estava doente, era irmão dela. Então as irmãs mandaram a Jesus um recado que dizia: «Senhor, aquele a quem amas está doente.» Ouvindo o recado, Jesus disse: «Essa doença não é para a morte, mas para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela.» Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro. Quando ouviu que ele estava doente, ficou ainda dois dias no lugar onde estava. Só então disse aos discípulos: «Vamos outra vez à Judéia.» Os discípulos contestaram: «Mestre, agora há pouco os judeus queriam te apedrejar, e vais de novo para lá?» Jesus respondeu: «Não são doze as horas do dia? Se alguém caminha de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas se alguém caminha de noite, tropeça, porque nele não há luz.» Disse isso e acrescentou: «O nosso amigo Lázaro adormeceu. Eu vou acordá-lo.» Os discípulos disseram: «Senhor, se ele está dormindo, vai se salvar.» Jesus se referia à morte de Lázaro, mas os discípulos pensaram que ele estivesse falando de sono natural. Então Jesus falou claramente para eles: «Lázaro está morto. E eu me alegro por não termos estado lá, para que vocês acreditem. Agora, vamos para a casa dele.» Então Tomé, chamado Gêmeo, disse aos companheiros: «Vamos nós também para morrermos com ele». Quando Jesus chegou, já fazia quatro dias que Lázaro estava no túmulo. Betânia ficava perto de Jerusalém; uns três quilômetros apenas. Muitos judeus tinham ido à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão. Quando Marta ouviu que Jesus estava chegando, foi ao encontro dele. Maria, porém, ficou sentada em casa. Então Marta disse a Jesus: «Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas ainda agora eu sei: tudo o que pedires a Deus, ele te dará.» Jesus disse: «Seu irmão vai ressuscitar.» Marta disse: «Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição, no último dia.» Jesus disse: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e acredita em mim, não morrerá para sempre. Você acredita nisso?» Ela respondeu: «Sim, Senhor. Eu acredito que tu és o Messias, o Filho de Deus que devia vir a este mundo.» Dito isso, Marta foi chamar sua irmã Maria. Falou com ela em voz baixa: «O Mestre está aí, e está chamando você». Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi ao encontro de Jesus. Jesus ainda não tinha entrado no povoado, mas estava no mesmo lugar onde Marta o havia encontrado. Os judeus estavam com Maria na casa e a procuravam consolar. Quando viram Maria levantar-se depressa e sair, foram atrás dela, pensando que ela iria ao túmulo para aí chorar. Então Maria foi para o lugar onde estava Jesus. Vendo-o, ajoelhou-se a seus pés e disse: «Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.» Jesus viu que Maria e os judeus que iam com ela estavam chorando. Então ele se conteve e ficou comovido. E disse: «Onde vocês colocaram Lázaro?» Disseram: «Senhor, vem e vê.» Jesus começou a chorar. Então os judeus disseram: «Vejam como ele o amava!» Alguns deles, porém, comentaram: «Um que abriu os olhos do cego, não poderia ter impedido que esse homem morresse?» Jesus, contendo-se de novo, chegou ao túmulo. Era uma gruta, fechada com uma pedra. Jesus falou: «Tirem a pedra.» Marta, irmã do falecido, disse: «Senhor, já está cheirando mal. Faz quatro dias.» Jesus disse: «Eu não lhe disse que, se você acreditar, verá a glória de Deus?» Então tiraram a pedra. Jesus levantou os olhos para o alto e disse: «Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sei que sempre me ouves. Mas eu falo por causa das pessoas que me rodeiam, para que acreditem que tu me enviaste.» Dizendo isso, gritou bem forte: «Lázaro, saia para fora!» O morto saiu. Tinha os braços e as pernas amarrados com panos e o rosto coberto com um sudário. Jesus disse aos presentes: «Desamarrem e deixem que ele ande.» Então muitos judeus, que tinham ido à casa de Maria e que viram o que Jesus fez, acreditaram nele.

Hirmos

Vinde, povos! Honremos com hinos à puríssima Mãe de Deus,
que concebeu em seu seio o fogo divino e não foi queimada;
e glorifiquemo-la com louvores que não esmorecem.

OBS.:

Em vez de «Vimos a verdadeira luz ..»" canta-se o Apolitikion do dia.

«Sábado de Lázaro: o prelúdio da cruz»

«Tendo completado o percurso dos 40 dias...
nós suplicamos ver a Semana Santa da tua paixão».

om essas palavras, cantadas nas vésperas da sexta-feira de Ramos, é que termina a quaresma, e que entramos na comemoração anual dos sofrimentos de Cristo, de sua morte e de sua ressurreição. Ela começa no sábado de Lázaro. A festa da ressurreição de Lázaro, somada à da entrada do Senhor em Jerusalém, é chamada nos textos litúrgicos: «Prelúdio da Cruz». É portanto no contexto da grande semana que o significado desta festa dupla fica mais claro. O tropário comum à esses dois dias nos diz:

- «Ressuscitando Lázaro,
o Cristo confirmou a verdade
da Ressurreição Universal».

Aqueles que estão familiarizados com a liturgia ortodoxa, conhecem o caráter singular e paradoxal dos ofícios desse sábado de Lázaro. Esse sábado é celebrado como um domingo, quer dizer que se celebra aí o ofício da Ressurreição quando, normalmente, o sábado é consagrado à comemoração dos defuntos. A alegria que ressoa no ofício sublinha o tema principal: a vitória próxima de Cristo sobre o Hades. Na Bíblia, o Hades significa a morte e seu poder universal, a noite inevitável e a destruição que traga toda a vida, envenenando com suas trevas devastadoras o mundo inteiro. Mas eis que, pela ressurreição de Lázaro, «a morte começa a tremer»; é o começo de um duelo decisivo entre a vida e a morte, um duelo que nos dá a chave de todo o mistério litúrgico da Páscoa. Para a Igreja primitiva, o sábado de Lázaro era, o «anúncio da Páscoa»; de fato, esse sábado proclama e já faz aparecer a maravilhosa luz e a paz do sábado seguinte: o grande e santo Sábado, o dia do túmulo vivificante que dá a vida.

Compreendemos logo que Lázaro, «o amigo de Jesus», personifica cada um de nós e toda a humanidade, e que Betânia, «a casa» do homem Lázaro, é o símbolo de todo o universo, habitat do homem. Todo homem foi criado amigo de Deus e chamado a esta amizade divina que consiste no conhecimento de Deus, na comunhão com ele, o compartilhar da mesma vida: «A vida estava nele, e a vida era a luz dos homens» (Jo 1:4). E, portanto este amigo bem amado de Deus, criado por amor, ei-lo destruído, aniquilado por um poder que Deus não criou: a morte. Deus é afrontado em sua obra por um poder que a destrói e torna nulo seu desígnio. A criação é apenas tristeza, lamentação, lágrimas e finalmente morte. Como é possível? Essas questões se encontram latentes no texto detalhado que João nos faz da vinda de Jesus à tumba de seu amigo. «Uma vez chegado à tumba de seu amigo», diz o evangelista, «Jesus chorou» (Jo 11:35). Por que ele chora, uma vez que ele sabe que dentro de um instante ele ressuscitará Lázaro à vida?

JesusOs hinógrafos bizantinos não souberam compreender o sentido verdadeiro dessas lágrimas, atribuindo-as à sua natureza humana, uma vez que, de sua natureza divina ele detinha o poder de ressuscitar os mortos. Entretanto, a Igreja ortodoxa ensina claramente que todas as ações de Cristo são teândricas, isto é, ao mesmo tempo divinas e humanas, sendo as ações do único e mesmo Deus-Homem, o Filho de Deus encarnado. É o Homem-Deus que vemos chorar, é o Homem-Deus que fará sair Lázaro de seu túmulo. Ele chora.... são lágrimas divinas; ele chora porque contempla o triunfo da morte e da destruição da criação saída das mãos de Deus. «Ele já cheira mal», dizem os judeus, como para impedir Jesus de se aproximar do corpo; terrível advertência que vale para todo o universo, para toda a Vida. Deus é Vida e Doador de Vida, ele chamou o homem para esta realidade divina da vida, e eis "que ele cheira mal." O mundo foi criado para refletir e proclamar a glória de Deus, e eis «que ele cheira mal»! No túmulo de Lázaro Deus encontra a morte, a realidade da antivida, da destruição e do desespero. Ele se encontra face à face com seu Inimigo que lhe arrebatou a criação, que era sua, para tornar-se o Príncipe. Nós que seguimos Jesus se aproximando do túmulo, entramos com ele na sua Hora, aquela que ele anunciou freqüentemente como o apogeu e o cumprimento de toda sua obra. Neste curto versículo do Evangelho: «Jesus chorou», é a Cruz que é anunciada, sua necessidade e seu significado universal. Compreendemos agora que é porque «Jesus chorou», melhor dizendo porque ele amava seu amigo Lázaro, que ele tem o poder de o chamar à vida. A ressurreição não é a simples manifestação de um poder divino, mas antes o poder de um amor, o amor tornado poder. Deus é Amor e Amor é Vida, ele é criador de vida... É o Amor que chora sobre o túmulo e é o Amor também que dá a vida; lá está o sentido das lágrimas divinas de Jesus. Elas nos mostram o amor de novo à obra, recriando, resgatando e restaurando a vida humana presa das trevas: "Lázaro, sai para fora!...»

Eis porque esse sábado de Lázaro inaugura ao mesmo tempo a cruz como supremo sacrifício de Amor, e a ressurreição como seu último triunfo:

«O Cristo é para todos alegria, verdade, luz e vida,
Ele é a ressurreição do mundo,
n'Ele o amor apareceu para aqueles que estão na terra,
imagem da ressurreição,
concedendo a todos o perdão divino».

Fonte:

Alexandre Schmémann, Olivier Clément. «O Mistério Pascal» - Comentários Litúrgicos

 

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