Santo Apolinário foi o primeiro bispo de Ravena e o único mártir desta cidade. De acordo com as atas de seu martírio, Apolinário nasceu em Antioquia, onde foi discípulo de São Pedro, Príncipe dos Apóstolos, que o nomeou Bispo de Ravena. Santo Apolinário foi um dos mais conhecidos mártires da Igreja primitiva, e a grande veneração que todos tinham por este santo é o melhor testemunho de seu espírito apostólico e de sua santidade. Por suas orações, a esposa de um oficial foi milagrosamente curada e, ela com seu marido se converteram à fé cristã. A cura de um surdo, de nome Bonifácio, fez com que uma grande multidão aderisse à fé, o que chamou a atenção das autoridades que o expulsaram da cidade. Apolinário foi então para Bolonha, anunciando nesta cidade o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e convertendo, através de sua pregação, todos os membros da família do aristocrata Rufino. Novamente partiu para o exílio, e durante a travessia, naufragou na costa da Dalmácia, onde foi maltratado por pregar o Evangelho. Apolinário voltou ainda três vezes à sua sede, e em todas elas foi capturado, torturado e expulso. Em sua quarta visita a Ravena, o imperador Vespasiano publicou um decreto pelo qual condenava ao exílio todos os cristãos. Santo Apolinário conseguiu ficar escondido por algum tempo com a ajuda de um centurião cristão, mas, finalmente descoberto, foi golpeado até a morte. São Pedro Crisólogo, o mais ilustre de seus sucessores, num de seus sermões o qualificou de mártir, acrescentando que Deus havia preservado a vida de Santo Apolinário durante um longo tempo para o bem da Igreja.

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Trad.: pe. André

II – O nome, o culto, e a glória de Santo Apolinário são legados que recebemos da história, e também da arte de Ravena, a capital do Império Bizantino no Ocidente, no período de meados do século I e século II. Lá, existem duas grandiosas igrejas dedicadas a santo Apolinário, ambas célebres na história da arte e do cristianismo. Na igreja nova de Santo Apolinário, no centro da cidade, encontramos o célebre mosaico representativo, mais extenso do que um quarteirão, com todos os mártires e as virgens. No destaque, encontra-se santo Apolinário. Na outra igreja, fora da cidade, está o outro esplêndido mosaico, no qual, pela primeira vez, a figura de um santo, e não a de Cristo, ocupa o centro de uma composição, circundado por duas fileiras de ovelhas. Apolinário, o primeiro bispo de Ravena, segundo a tradição, teria sua origem no Oriente. A mando do próprio apóstolo Pedro, de quem foi discípulo, foi enviado para converter os pagãos nas terras ao norte do Império Romano. A sua obra de evangelização transcorreu num ambiente repleto de imensas dificuldades, fruto do ódio, do egoísmo, da incredibilidade que o cercavam, além do culto aos ídolos pagãos que teve de combater. A tal apostolado dedicou toda a sua vida. Embora representado no mosaico da cidade, sereno e tranqüilo, na realidade era um homem de vida dura, combativa e atuante. Apolinário sempre foi considerado um mártir. Mártir de um suplício muito longo, que foi todo o seu episcopado. Ele não viu o resultado de sua obra, que só se revelou após a sua morte. A população da nova capital do Império Romano tornou-se exclusivamente cristã, reforçando suas raízes no próprio culto de seu primeiro bispo, considerado por eles um exemplo de santidade. Dessa maneira se explica a grande devoção a ele, não somente em Ravena, mas em muitas outras localidades da Itália, da França e da Alemanha. Apolinário morreu como mártir da fé no dia 23 de julho, durante as primeiras perseguições impostas contra os cristãos. Entretanto não se encontrou nenhuma referência indicando o ano e a localidade. Suas relíquias, encontradas nas catacumbas, foram enviadas para a catedral de Santo Apolinário, em Ravena, na Itália.

 

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